
A zeaxantina é um dos carotenóides mais abundantes na natureza. Sintetizada pelas plantas e por alguns microrganismos, trata-se de um pigmento com uma cor amarela forte, sendo responsável pela cor da paprica, do milho, do açafrão, entre outros. A zeaxantina decompõe-se em picrocrocina e safranal, responsáveis pelo sabor e aroma do açafrão.
O seu nome deriva do nome científico do milho, Zea mays, mais xanthos, que em grego significa “amarelo”. A Zeaxantina pertence a uma classe de carotenóides – as xantofilas. Estas encontram-se presentes em maiores quantidades nas folhas da maioria das plantas verdes, tendo como função controlarem a energia luminosa absorvida pelos sistemas fotossintéticos e, talvez, como um agente de quenching não-fotoquímico para tratar do estado tripleto da clorofila (3Chl, um estado excitado da clorofila que se forma durante a fotossíntese, aquando da incidência de luz muito intensa, e que leva à formação de uma espécie reactiva de oxigénio).
Os animais obtêm zeaxantina das plantas através da sua dieta. A zeaxantina é uma das duas xantofilas primárias presentes na retina do olho (é a xantofila predominante na mácula do olho, enquanto que a luteína predomina na região periférica da retina).
Quimicamente falando, a zeaxantina é um composto químico com fórmula molecular C40H56O2, pertencente à classe dos isoprenóides com 40 átomos de carbono (um carotenóide, portanto). Possui um sistema π conjugado com 11 ligações duplas. Os sistemas π conjugados permitem a deslocalização de electrões, fazendo com que, quando excitados, os electrões reemitam energia na região do espectro visível. Quanto maior o sistema π conjugado, maior é a mobilidade dos electrões ao longo do sistema e menor é a energia de excitação, fazendo com que mais energias sejam absorvidas e que a radiação emitida se aproxime da região do vermelho.
É um composto sólido com uma cor amarelo-alaranjada, insolúvel em água. Também conhecido por β,β-caroteno-3,3’-diol, tem uma massa molar de 568,87 g/mol e um ponto de fusão de 205,0 – 206,0ºC. Como aditivo alimentar, a zeaxantina é um corante, com número E E161h.
A zeaxantina e a luteína possuem a mesma fórmula química e são isómeros, mas não se tratam de estereoisómeros. A única diferença entre estas duas moléculas é a localização da ligação dupla de um dos anéis. Esta diferença confere à luteína três centros quirais, enquanto a zeaxantina só possui dois. Devido à simetria estrutural, os estereoisómeros (3R,3’S) e (3S,3’R) da zeaxantina são idênticos. O estereoisómero (3R,3’S) é denominado por meso-zeaxantina. A principal forma natural da zeaxantina é a (3R,3’R)-zeaxantina. A macula do olho contém essencialmente zeaxantina e meso-zeaxantina, mas contém ainda (se bem que em quantidades muito menores) a forma (3S,3’S).
Devido ao valor comercial dos carotenóides, a sua biossíntese tem sido extensivamente estudada tanto em sistemas naturais como em sistemas heterólogos, como a bactéria E. coli e a levedura Saccharomyces cerevisiae. A biossíntese da zeaxantina procede do β-caroteno através da acção de uma única proteína, a β-caroteno hidroxilase que realiza a adição de um grupo hidroxilo aos carbonos 3 e 3’ do β-caroteno.
Vários estudos de observação têm mostrado cada vez mais evidências que dietas ricas em zeaxantina levam a uma menor incidência de degeneração macular relacionada com a idade (age-related macular degeneration, AMD). No entanto ainda há falta de provas que correlacionem a eficiência da suplementação dietética de zeaxantina ou de luteína com o tratamento ou prevenção de AMD, nem com a formação ou progressão de cataratas.
Os alimentos considerados boas fontes de zeaxantina incluem os ovos, espinafres, bagas goji, as folhas do nabo, repolho, ervilhas, acelgas e couves-de-bruxelas.
Fontes: Wikipédia | PubChem | Sigma-Aldrich

