
A estreptomicina é um antibiótico pertencente à classe dos aminoglicósidos, tendo sido o primeiro a ser descoberto e o primeiro a mostrar-se eficiente no tratamento da tuberculose. Este antimicobacteriano é obtido da actinobactéria Streptomyces griseus. Trata-se de um composto que se encontra na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde.
Quimicamente falando, a estreptomicina (C21H39N7O12), cujo nome segundo a IUPAC é 1,1’-[(1R,2R,3S,4R,5R,6S)-4-({5-desoxi-2-O-[2-desoxi-2-(metilamino)-α-L-glucopiranosil]-3-C-formil-α-L-lixofuranosil}oxi)-2,5,6-triidroxi-1,3-ciclohexanodiil]diguanidina, é um sólido branco, com um leve odor a amoníaco e um sabor ligeiramente amargo. Tem uma massa molar de 581,574 g / mol e ponto de fusão de 12ºC. É solúvel em água, sendo a solubilidade igual ou superior a 0,1 mg / mL e tem uma densidade de 2,0 (valor previsto informaticamente). Trata-se de um composto que não se degrada quando exposto ao ar ou à luz, mas sofre decomposição quando aquecido, pelo que não deve ser autoclavado. É administrado por via intramuscular ou por via intravenosa, tendo uma biodisponibilidade de 84% a 88% e um tempo de semivida de 5 a 6 horas. É excretada através da urina. Apresenta os seguintes efeitos secundários: ototoxicidade, nefrotoxicidade, toxicidade auditiva fetal e paralesia neuromuscular.
A estreptomicina pode ser usada clinicamente para tratar a tuberculose, em combinação com outros fármacos, e estirpes susceptíveis que causam endocardite bacteriana (quando esta não é sensível à gentamicina). Apresenta um MIC (concentração mínima inibitória) de 1 a 2 μg / mL para Mycobacterium tuberculosis e 4 μg / mL para Staphylococcus aureus.
Notar que a estreptomicina não é a primeira linha de tratamento da tuberculose, excepto em populações que não tanto acompanhamento médico, onde o maior custo dos outros tratamentos os impede. Esta fora utilizada como primeira linha de tratamento da Peste (Yersinia pestis), embora não esteja aprovada pela OMS como medicamento para esse fim. O uso persistente de estreptomicina pode resultar em febre e erupções cutâneas. A porção vestibular do nervo craniano VIII (o nervo vestibulococlear) pode ser afectada, resultando em vertigens e ataxia.
Na medicina veterinária a estreptomicina é usada como antibiótico de primeira instância contra bactérias Gram-negativas em animais de grande porte (cavalos, ovelhas, vacas, etc.). Normalmente, esta é combinada com penicilina para injecção intramuscular.
Para reduzir o risco do desenvolvimento de bactérias resistentes e para manter a eficácia da estreptomicina e de outros compostos antibacterianos, a estreptomicina deve ser usada para tratar ou prevenir infecções que se encontrem provadas (ou pelo menos que haja uma forte suspeita) serem causadas por bactérias.
A estreptomicina é também usada como pesticida, para combater o crescimento de bactérias, fungos e algas. Esta previne doenças causadas por bactérias e fungos em determinados frutos, vegetais, sementes e plantas decorativas, e controla o crescimento de algas em aquários e lagos ornamentais. Mas, tal como nas aplicações médicas, o uso extensivo desta está associado ao desenvolvimento de resistências em bactérias.
Esta é ainda usada, quando combinada com penicilina, para prevenir infecções bacterianas em culturas de células. Além disso, como a estreptomicina se liga a ribossomas, esta é usada na purificação de proteínas a partir de extractos bacterianos, para precipitar rRNA, mRNA e até algum DNA.
Quanto ao seu mecanismo de acção, a estreptomicina é um inibidor da síntese proteica. Esta liga-se ao 16S rRNA da subunidade 30S do ribossoma bacteriano, interferindo com a ligação do formil-metionil-tRNA à subunidade. Isto leva a uma interferência na leitura dos codões, eventual inibição da síntese proteica e, em última instância, à morte celular. Os humanos possuem ribossomas estruturalmente distintos dos das bactérias, pelo que não tem efeito nas nossas células. A estreptomicina, tal como outros aminoglicósidos, são antibióticos úteis para o combate de infecções causadas por bactérias aeróbias Gram-negativas, como Pseudomonas, Acinetobacter e Enterobacter. Algumas micobactérias, incluindo a que causa tuberculose, são susceptíveis aos aminoglicósidos. Infeções causadas por bactérias Gram-positivas também podem ser tratadas com aminoglicósidos, mas não se tratam dos antibióticos mais potentes contra estas bactérias. Os aminoglicósidos são menos eficientes no combate a infecções causadas por bactérias anaeróbicas, por fungos ou por vírus.
Fontes: Wikipédia | ChemSpider | Pubchem


