
A vinblastina, com fórmula molecular C46H58N4O9, trata-se de um alcalóide produzido nas folhas de Catharanthus roseus, também conhecida como Vinca roseus, sendo o primeiro alcalóide com propriedades antitumorais a ser usado em tratamentos clínicos.
Inicialmente, a planta que sintetiza este composto era usada na medicina popular como antidiabética mas, o seu estudo em laboratório não mostrou qualquer resultado de actividade biológica relacionada com a Diabetes Melitus. No entanto, extractos concentrados desta planta, administrados em coelhos por injecção intravenosa, levaram à morte dos animais, demonstrando indícios agravados de inflamação, o que foi causado por uma diminuição do número total de leucócitos. Foi por isso sugerida a existência de algum composto que fosse eficaz contra determinados cancros, nomeadamente linfomas. Os compostos vinblastina e vincristina foram isolados e identificados como anticancerígenos e, desde então, têm sido usados no tratamento de determinados cancros, como o linfoma de Hodgkin, cancro da bexiga, cancro cerebral e cancro testicular.
Este composto, cujo nome segundo a nomenclatura da IUPAC é dimetil(2β,3β,4β,5α,12β,19α)-15-[(5S,9S)-5-etil-5-hidroxi-9(metoxicarbonil)-1,4,5,6,7,8,9,10-octahidro-2H-3,7-metanoazacycloundecin[5,4-b]indol-9-il]-3-hidroxi-16-metoxi-1-metil-6,7-didesidroaspidospermidin-3,4-carboxilato, é um alcalóide indólico, com uma componente proveniente da via dos terpenóides. Tem uma massa molar de 810,975 g / mol, uma densidade de 1,4 ± 0,1 e um índice de refracção de 1,671. A sua biossíntese não é ainda totalmente conhecida, no entanto sabe-se que este composto ser obtido por junção de dois alcalóides – catarantina e vindolina. Embora muitas enzimas envolvidas nas vias biossintéticas dos alcalóides indólicos, o processo de dimerização é ainda pouco compreendido. No entanto, Sottomayor et al. demonstrou que a sintase responsável pela junção da catarantina com a vindolina parece tratar-se de uma enzima com actividade de peroxidase, localizada nos vacúolos das células do mesófilo das folhas.
Este metabolito é utilizado em quimioterapia face a inúmeros cancros, em conjunto com muitos outros compostos (como a bleomicina e o metotrexato), no entanto sabe-se que, no caso do linfoma de Hodgkin, este antitumoral leva a uma remissão total. É administrado por via intravenosa, tem um tempo de semivida de 24,8 horas, sendo metabolizado no fígado e removido por excreção biliar e renal. A sua utilização apresenta alguns efeitos secundários, como perda do cabelo, diminuição do número de glóbulos brancos e de plaquetas, problemas gastrointestinais, pressão arterial elevada, depressão, cãibras musculares, vertigens e dores de cabeça.
A vinblastina é um composto citostático, ligando-se à tubulina e inibindo a montagem dos microtúbulos. O tratamento com vinblastina causa a paragem do ciclo celular na fase M, por impedimento da polimerização da tubulina em microtúbulos e impedimento da formação correta do fuso mitótico, necessário para a segregação dos cromossomas durante a anafase.
A vinblastina pode ser extraída de Catharanthus roseus, juntamente com os seus percursores. A extracção é dispendiosa e apresenta u baixo rendimento (é necessária cerca de meia tonelada de folhas secas da planta para se obter 1 grama de vinblastina). A síntese enantiosselectiva tem gerado cada vez mais interesse, já que a mistura de isómeros obtida da planta não é uma fonte muito económica do enantiómero C16’S,C14’R, correspondente À forma biologicamente activa da vinblastina. O rendimento global da síntese do composto pode atingir os 22%, o que torna a abordagem sintética mais apelativa do que a extracção do composto de recursos naturais, que apresentam um rendimento de cerca de 10%.
Fontes: Wikipédia | ChemSpider
Referência bibliográfica: M. Sottomayor et al. (1998) Purification and characterization of α-3’,4’-anhydrovinblastine synthase (peroxidase-like) from Catharanthus roseus (L.) G. Don. FEBS Letters 428: 299-303


