Barry J. Marshall é um médico e cientista australiano que foi laureado com o prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2005 pela “descoberta da bactéria Helicobacter pylori e o seu papel na gastrite e úlcera péptica”, juntamente com J. Robin Warren.
Marshall nasceu em 1951 em Kalgoorlie, Australia, tendo no entanto vivido toda a sua infância em Perth, local onde viria a estudar medicina. Foi em Perth que Barry Marshall conheceu o seu colega e amigo Robin Warren, com o qual viria a realizar todo o trabalho que levaria mais tarde à atribuição do prémio Nobel. Como parte do seu treino, os estudantes de especialidade eram encorajados a fazer um projecto de investigação clínica anual em qualquer departamento do hospital. Apesar do seu interesse na altura se focar no estudo da insolação em “corredores não competitivos”, Marshall decidiu experimentar algo novo, como tal perguntou ao seu chefe se não haveria nenhum projecto em gastroenterologia que ele pudesse começar. Foi assim, durante a segunda metade de 1981, que o seu caminho se cruzou com Robin Warren.
Warren, patologista no Royal Perth Hospital, tinha verificado a presença de bactérias curvas em biópsias ao estômago da grande maioria dos pacientes com úlceras peptídicas e precisava de alguém que pudesse avaliar a sua história clínica para perceber de que doenças estes padeciam. Marshall ficou fascinado com o trabalho, tendo passado os seis meses seguintes a pesquisar sobre o assunto. Encontrou várias referências a uma bactéria espiral gástrica, sem que no entanto lhe tivessem prestado grande atenção. Infelizmente, com o fim de 1981 chegava também o fim da sua rotação no departamento de gastroenterologia. Com o nascimento da sua quarta filha, e com rotações noutros departamentos (ou mesmo noutros hospitais), o tempo de Marshall para pesquisar mais sobre o assunto escasseava, estando, no entanto, cada vez mais e mais interessado.
O ano que se seguiu foi um ano de sorte para Marshall. Ao ver as portas do seu regresso ao Royal Perth Hospital fechadas, Marshall conseguiu uma posição no Fremantle Hospital, um hospital conhecido pela sua tradição de ter uma mente aberta e estar receptivo a novas ideias. Assim, durante dois anos, Marshall esteve rodeado de um grupo de pessoas com as quais desenvolveu trabalho na área, tendo estado no entanto afastado de Robin. Foram anos produtivos, tendo verificado que as observações efectuadas na lista de pacientes de Robin se estendiam a pacientes não só do Royal Perth Hospital, mas em vários cantos do mundo, sendo que a grande maioria dos pacientes com úlceras peptídicas apresentava o microorganismo.
No entanto em 1984 as coisas começaram-se a complicar. Marshall estava certo que o microorganismo ao qual chamaram de Helicobacter pylori era o causador das úlceras peptídicas. Contudo, as tentativas de infectar um modelo animal não estavam a funcionar e cada vez mais o seu trabalho estava a ser descredibilizado. A maioria dos seus artigos científicos eram rejeitados e aqueles que eram aceites para publicação ficavam pendentes durante períodos de tempo infindáveis. A grande maioria acreditava que a bactéria que Barry J. Marshall e Robin Warren tinham descoberto não passava de um contaminante da amostra ou quanto muito seria um comensal inofensivo, não tendo qualquer influência na doença.
Foi então, que levado pela frustração, e numa tentativa de provar a sua hipótese que Marshall decidiu testar nele mesmo, esperando vir a desenvolver a infecção dentro de alguns meses ou anos. Para tal efectuou uma biópsia ao seu estômago para verificar que não possuía a bactéria na sua mucosa gástrica e então ingeriu uma solução contendo esta bactéria. Para seu grande espanto após apenas uma semana, Marshall sentiu-se gravemente doente. Após uma biópsia ao estômago verificou-se que a sua mucosa gástrica estava altamente inflamada e colonizada por Helicobacter pylori, tal como a dos seus pacientes. Após tomar antibióticos e bismuto, Barry Marshall recuperou totalmente.
Graças a este acto heróico (e bastante estúpido), Barry Marshall foi capaz de provar a sua hipótese de que a chave para tratar as úlceras gástricas é a erradicação da bactéria Helicobacter pylori, algo que só foi completamente aceite pelos seus pares em 1994, quando essa se tornou a prática clínica.
Fontes:
NobelPrize.org. (2018). Barry J. Marshall – Biographical. [online] Disponível em: https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/2005/marshall/auto-biography/ [Acedido em 5 Nov. 2018].
Encyclopædia Britannica. (2018). Barry J. Marshall. [online] Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Barry-J-Marshall [Acedido em 5 Nov. 2018].
The Biography.com website (2018). Barry J. Marshall Biography. [online] Disponível em: https://www.biography.com/people/barry-j-marshall-40435 [Acedido em 5 Nov. 2018].


