A oxitocina (Oxt), comummente conhecida como é uma hormona neuro-hipofisária que atua inicialmente como neuro modelador no cérebro.
A oxitocina tem um papel importante na reprodução sexual, particularmente durante e após o parto. É libertada em grandes quantidades após a distensão do cérvix e do útero, facilitado o parto, os laços maternais entre mãe e filho e, após a estimulação dos mamilos, a amamentação. Tanto o parto como a ejecção do leite resultam de mecanismos de feedback positivo.
Estudos recentes têm começado a demonstrar o papel que a oxitocina desempenha em vários aspectos, incluindo o orgasmo, o reconhecimento social, os laços afectivos, ansiedade, e comportamento maternal. É por este motivo que a oxitocina é também conhecida como a “molécula do amor”. Existem algumas evidências de que a oxitocina promove comportamento etnocêntrico, incorporando a confiança e empatia entre membros de certos grupos, e a suspeita e rejeição de outsiders. Além disso, alterações no gene receptor da oxitocina (OXTR) têm sido associadas a problemas de adaptação social e comportamento agressivo.
A oxitocina é um polipéptido constituído por nove resíduos de aminoácido. O seu nome sistemático é cisteíniltirosilisoleucilglutaminilasparaginilcisteínilprolilleucilglicilamina (cys – tyr – ile – gln – asn – cys – pro – leu – gly – NH2). Possui uma massa de aproximadamente 1007 Dalton, uma solubilidade em água de 1 mg/mL, e uma densidade de 1,271.
A forma biologicamente activa da oxitocina apresenta uma ponta dissulfureto entre as duas cisteínas (forma oxidada). Porém também existe na forma reduzida ditiol – a oxitoceína. Acredita-se que a forma reduzida da oxitocina pode funcionar como antioxidante, doando electrões a radicais livres. A estrutura da oxitocina é muito similar à da vasopressina (cys – tyr – phe – gln – asn – cys – pro – arg – gly – NH2), também um nonapéptido com uma ponte de dissulfureto.
A oxitocina apresenta funções hormonais periféricas, e funções hormonais ao nível do cérebro. A sua acção sobre os tecidos é mediada por receptores específicos e com grande afinidade à oxitocina. Este receptor é um receptor proteico associado à proteína G, e requere a intervenção de Mg2+ e de colesterol.
As acções periféricas da oxitocina reflectem-se, principalmente, na secreção da glândula pituitária. Esta intervém na ejecção do leite após o estímulo dos mamilos: o estímulo dos mamilos promove a formação de potenciais de acção nos neurónios que produzem oxitocina, resultando numa excreção de pulsos desta hormona pelos terminais dos nervos neuro secretores da glândula pituitária.
Esta também tem um papel fundamental nos partos, dado que esta promove as contracções durante a segunda e terceira fases do parto.
Pensa-se que a oxitocina controla a resposta inflamatória, promovendo o decréscimo de certas citoquinas. Por isso, o aumento da concentração de oxitocina relacionado com interacções sociais positivas pode contribuir para uma melhor cicatrização.
A relação entre a oxitocina e a resposta sexual é ainda pouco clara. Pelo menos dois estudos não controlados registaram um aumento na concentração de oxitocina no plasma aquando o orgasmo – tanto no homem como na mulher. Os níveis de oxitocina no plasma mantêm-se acima do normal até cinco minutos após auto-estimulação. Os autores destes estudos especulam que o efeito de contracção muscular pode facilitar o transporte, quer do oócito, quer do ovo.
A injecção de oxitocina no fluido cefalorraquidiano em ratinhos macho promove a erecção espontânea, reflectindo acção no hipotálamo e na espinal medula. A aplicação desta hormona em ratinho fêmea promove o comportamento de lordose
Além disso, a oxitocina evoca sensações de contentamento, redução da ansiedade, bem como sensações de calma e segurança na presença do seu parceiro. Muitos estudos já demonstraram a correlação entre a oxitocina e a capacidade de nos relacionarmos com outros seres humanos. Um estudo confirmou a correlação positiva entre os níveis desta hormona no plasma sanguíneo e o apego romântico (medido através de uma escala de ansiedade). Isto sugere que a oxitocina esteja relacionada com a inibição das áreas do cérebro relacionadas com o controlo comportamental, o medo, a ansiedade, permitindo a ocorrência do orgasmo.
Certas funções de aprendizagem e de memória são prejudicadas pela administração centralizada de oxitocina. Também prejudica a recuperação da memória para o caso de certas tarefas aversivas. Curiosamente, a oxitocina parece facilitar a aprendizagem e memória especificamente para informação social.
Também é evidenciada uma correlação positiva entre o nível de oxitocina e a empatia. Isto é provavelmente devido ao efeito da oxitocina no olhar fixo.
A oxitocina excretada pela glândula pituitária não pode regressar ao cérebro, devido à barreira hemato-encefálica. Em vez disso, pensa-se que os efeitos comportamentais da oxitocina resultam da excreção desta por parte de neurónios específicos centralizados, diferentes daqueles que se projectam para a glândula pituitária. A libertação desta no cérebro de ratinhos fêmea durante a actividade sexual é importante para a formação de relacionamento monogâmico com o seu parceiro. A vasopressina aparenta ter um efeito similar para os ratinhos macho.
O péptido é sintetizado como uma proteína precursora inactiva a partir do gene OXT. Esta proteína precursora também inclui a proteína transportadora neurofisina I. A proteína vai sofrendo uma série de hidrólises, convertendo-se em fragmentos cada vez menores. A última hidrólise origina a forma activa do péptido da oxitocina, sendo catalisada pela enzima PAM. A actividade desta enzima e dependente da vitamina C, o qual é um cofactor importante desta cascata de reacções.
No hipotálamo, a oxitoceína é produzid pelas células neuro secretoras magnocelulares dos núcleos supraóptico e paraventricular, e armazenada nos corpos de Herring, nos terminais dos axónios da pituitária posterior.
Na glândula pituitária, a oxitocina é armazenada em vesículas densas de grandes dimensões, onde se liga à neurofisina I. A libertação da oxitocina é regulada pela actividade eléctrica das células da oxitocina, no hipotálamo
For a do cérebro, a oxitocina é armazenada em células de muitos tecidos, incluindo o corpo lúteo, as células intersticiais de Leydig, na retina, na medula adrenal, na placenta, no timo, e no pâncreas.
No caso das fêmeas, a oxitocina é produzida nos corpos lúteos. Tal como o estrogénio, esta está relacionada com a indução da prostaglandina F2α no endométrio, que é responsável pela regressão do corpo lúteo.
No caso dos machos, as células de Leydig de algumas espécies têm demonstrado maquinaria de biossíntese para produzir oxitocina testicular, como é o caso dos ratos (que sintetizam vitamina C endogenamente), e porcos-da-índia, que, tal como os humanos, necessitam de uma fonte exógena de vitamina C nas suas dietas.
Fonte: Wikipédia, ChemSpider



