Esquizofrenia
A esquizofrenia trata-se de uma doença psiquiátrica grave, incapacitante e crónica.
É considerada uma doença que se manifesta ao nível cerebral e que afeta de forma extremamente grave a orientação do pensamento da pessoa, a vida emocional e o comportamento em geral. Todos os que rodeiam o paciente propriamente dito também sofrem com esta doença, tendo em conta as dificuldades em termos de relacionamento social, familiar e profissional que ela provoca.
Os doentes diagnosticados com esquizofrenia raramente são violentes, o que se sucede é um delírio associado a perseguição e o uso de drogas aumentam o risco de isso acontecer. Quando se desenrolam acontecimentos de violência, normalmente, estes ocorrem contra os membros da família e ocorre no seio familiar.
O risco de suicídio é significativo quando se aborda esta doença e ronda os 10% destes doentes, sobretudo na idade adulta e jovem e, maioritariamente, doentes do sexo masculino, que morrem todos os anos por suicídio.
Existem vários tipos de esquizofrenia conhecidos, embora raramente um doente se possa encaixar num deles.

Figura 1 – A doença de esquizofrenia.
Incidência da esquizofrenia
Em Portugal, as esquizofrenias foram consideradas uma das doenças mais frequentes e a principal causa de internamento e a terceira em consultas.
Esta doença atinge cerca de 1% da população e tende a manifestar-se essencialmente no final da adolescência. As populações mais afetadas são as localizadas nas zonas rurais e os grupos sociais socioeconómica e culturalmente subdesenvolvidos.
A manifestação da doença surge mais precocemente em indivíduos do sexo masculino entre os 15 e os 25 anos e mais tardio em pessoas do sexo feminino entre os 25 e os 30 anos, ou seja, raramente surge após os 45 anos de idade.
Manifestações da esquizofrenia
A sintomatologia associada à esquizofrenia são extremamente complexos e traduz-se numa perda do contacto com a realidade desencadeando-se:
- Alucinações – estas podem ser visuais, auditivas ou olfativas e o doente esquizofrénico foca-se na ideia de que os outros lêem os seus pensamentos, controlando-os e desejando fazer-lhes mal. Esta convicção faz o paciente tornar-se com comportamento muito agitado.
- Discurso confuso – os pensamentos tendem a ser desorganizados e o discurso pode ser interrompido subitamente a meio de uma frase.
- Alterações dos movimentos – o paciente pode ficar sentado durante horas sem se mover ou falar, ou repetir certos movimentos várias vezes.
Existem outras situações em que a aparência do paciente parece extremamente normal.
Alguns sintomas desta patologia são considerados mais vagos e, portanto, dificilmente detetados, desde a ausência de expressão na voz ou rosto no momento em que o doente fala, ausência de prazer na execução das atividades diárias, incapacidade de iniciar e manter as tarefas planeadas, dificuldade de compreender informação, tomar decisões ou estar concentrado e incapacidade de utilizar informação imediatamente após ser aprendida.
Causas da esquizofrenia
Uma das principais causas da esquizofrenia está associada à predisposição genética, embora a doença afete cerca de 1% da população, esta atinge 10% das pessoas que apresentem histórico familiar de primeiro grau desta doença.
Em muitos casos, pensa-se que é necessário ocorrer uma interação entre a genética e o meio ambiente para que a doença se possa desenvolver.
Outra das possíveis causas ocorre por desequilíbrio a nível cerebral que afeta os neurotransmissores dopamina e glutamato.
Uma das diferenças detetadas ao nível cerebral dos doentes com esquizofrenia e um individuo normal encontra-se relacionado com o desenvolvimento do cérebro que se desencadeia na fase da puberdade.
Diagnóstico da esquizofrenia
A ocorrência de esquizofrenia na adolescência é difícil de ser diagnosticada porque muitos dos sintomas coadunam com alterações comportamentais típicas da idade. No entanto, alguns fatores, quando combinados permitem prever até 80% dos jovens que estão em risco de desenvolver a doença como:
- Isolamento do mundo que o rodeia;
- Afastamento dos outros, associado ao isolamento;
- Aumento do número de pensamento e suspeições;
- História familiar de psicose.
Não existe nenhum teste específico que permita o diagnóstico desta patologia.
A avaliação psiquiátrica conjuntamente com a avaliação médica é fundamental para avaliar a presença de critérios suficientes par ase confirmar o diagnóstico de esquizofrenia.
Tratamento da esquizofrenia
O tratamento desta doença passa muito pela tentativa de eliminar os sintomas apresentados pelos pacientes utilizando medicamentos e psicoterapia.
Existe uma gama alargada de medicamentos disponíveis, devendo o médico psiquiatra selecionar o mais apropriado para cada caso, dado que, alguns destes medicamentos apresentam efeitos secundários importantes que devem ser meticulosamente vigiados.
Cada paciente responde de forma diferente ao tratamento e, muitas das vezes, é necessário adequar frequentemente as doses medicamentosas.
É fundamental que o paciente que esteja a realizar o tratamento, não o interrompa ou pare sem que aja aconselhamento médico prévio.
A psicoterapia é frequentemente utilizada em doentes já estabilizados e ajuda-os a reintegrarem-se nas suas atividades proporcionando-lhes uma vida o mais perto do normal possível.
Prognóstico da esquizofrenia
Não existe cura para a esquizofrenia, no entanto, o seu prognóstico tem vindo a ser mais positivo ao longo dos anos porque os tratamentos já permitem aos pacientes ter uma qualidade de vida melhor e mais autónoma.
O sucesso terapêutico passa, muitas das vezes, pelo envolvimento familiar e das pessoas próximas, de modo a facilitar a adaptação do paciente à sua mobilidade.

Figura 2 – Prognóstico.
Fontes: Manual MSD – Esquizofrenia , Psiquiatria-Psicanálise – Esquizofrenia, CUF – Esquizofrenia, Plano Nacional de Saúde

