Breve introdução
Os agentes da malária pertencem à família Plasmodiidae e ao género Plasmodium. Os protozoários do género Plasmodium podem infetar e multiplicar-se de duas formas distintas, assexuadamente nos eritrócitos e células hepáticas e sexuadamente por via de mosquitos. A doença que resulta da infeção por Plasmodium é conhecida como malária ou paludismo. Pelo seu impacto na saúde individual e pública, esta é considerada a doença parasitária humana mais importante. Epidemiologicamente, a malária é endémica em mais de 100 países, sendo que grande parte deles estão localizados na África subsariana.

Percentagem de população sob risco de malária.
Vias de transmissão
A malária pode ser transmitida por via transfusional, transplacentária (malária congénita), durante a partilha de seringas por toxicodependentes ou em acidentes laboratoriais. No entanto, a transmissão natural faz-se essencialmente pela picada de fêmeas de mosquitos anófeles e a transmissão ocorre por alternância entre o Homem e o mosquito infetante.

Anopheles adultos em posição de repouso típica.
Ciclo de vida
Os plasmódios apresentam três diferentes processos de replicação (esquizogonia hepática e eritrocítica e a esporogonia) que resultam respetivamente nas formas invasivas que são encontradas no Homem (esporozoítas e merozoítas hepáticos e eritrocíticos) e no mosquito (oocinetos). O processo de replicação sexuada ocorre quando a formação de um gametócito é transferido do Homem para uma fêmea adulta de Anopheles, onde a presença de um microgâmeta macho e fêmea se fundem e originam zigotos, oocinetos, oocistos e finalmente um esporozoíta que tem a capacidade de infetar o Homem.
O ciclo de vida do parasita da malária tem início num mosquito Anopheles fêmea infetado com a malária que durante uma refeição de sangue infeta esporozoítas no hospedeiro humano. Os esporozoítas infetam as células hepáticas do hospedeiro e tornam-se esquizontes, que rompem e libertam merozoítas. Após esta replicação inicial, os parasitas sofrem uma multiplicação assexuada nos eritrócitos do hospedeiro humano e os merozoítas sobreviventes infetam os eritrócitos. Os trofozoítas de fase anelar tornam-se maduros designando-se esquizontes, que rompem e libertam merozoítas.
Alguns parasitas diferenciam-se em fases eritrocitárias sexuais (gametócitos). Os parasitas do ciclo eritrocitário são responsáveis pelas manifestações clínicas da doença da malária. Os gametócitos macho (microgametócitos) e fêmea (macrogametócitos) são ingeridos por um mosquito Anopheles durante uma refeição de sangue onde no seu estômago são convertidos respetivamente gâmetas masculinos e gâmetas femininos. A multiplicação dos parasitas no mosquito Anopheles é conhecida como ciclo esporogónico. No estômago do mosquito, os microgâmetas penetram os macrogâmetas formando zigotos. Os zigotos tornam-se móveis e alongados (oocinetos) que invadem a parede do intestino médio do mosquito onde penetram e ficam alojados para desenvolver oocistos. Os oocistos crescem, rompem e libertam esporozoítas, que se deslocam até às glândulas salivares do mosquito. A inoculação dos esporozoítas num novo hospedeiro humano perpetua o ciclo de vida da malária.

Ciclo de vida do Plasmodium.
Manifestações clínicas
A malária pode assumir a forma não complicada (acesso simples) ou grave (malária cerebral considerada complicada). O período de incubação é no mínimo 7 dias podendo chegar, habitualmente às 2 semanas. Os sintomas inespecíficos iniciais são semelhantes aos de uma infeção viral comum evoluindo para febre alta (39-41ºC), calafrios, cefaleias, mialgias e artralgias podendo ser acompanhada por taquicardia e delírio. Normalmente no acesso simples malárico é estabelecido um padrão de febre terçã (ciclo febril de 48 horas). O Plasmodium falciparum é responsável por grande parte dos casos fatais.
Diagnóstico laboratorial
O diagnóstico laboratorial faz-se por deteção do plasmódio no sangue periférico por métodos microscópicos diretos ou por testes específicos que permitem identificar determinados componentes correspondentes ao parasita. A pesquisa direta baseia-se na realização de um esfregaço de sangue periférico ou pela concentração de uma gota espessa numa lâmina e, precedida de uma coloração pelo método de Giemsa.

Características morfológicas utilizadas no diagnóstico da malária – Plasmodium falciparum.

Plasmodium falciparum.
Tratamento
O tratamento da malária passa pelo conhecimento sobre a farmacocinética, farmacodinâmica, eficácia e segurança dos fármacos por parte do clínico. Outro fator de extrema importância a ter em conta é a sensibilidade do Plasmodium falciparum aos fármacos numa determinada área geográfica, em função também da resistência disseminada por este plasmódio aos vários medicamentos nomeadamente à cloroquina. Atualmente e segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), deve-se utilizar sempre que possível dois fármacos em combinação.
Prevenção
A prevenção da malária a nível individual passa pela aplicação de medidas para evitar a picada de anófeles e na quimioprofilaxia. Não existe ainda uma vacina contra a malária encontrando-se esta atualmente em desenvolvimento.
Fonte: CDC – Centers for Disease Control and Prevention; Malária grave por Plasmodium falciparum; Rey, L., Bases da Parasitologia Médica, ed. t. edição. 2010; Helena Barroso, A.M.-S.e.N.T., Microbiologia Médica 2, ed. LIDEL. Vol. 2. 2014

