É uma doença extremamente comum em todo o mundo por ser altamente contagiosa, viral, facilmente identificada. Distingue-se por irritações na pele, geralmente marcas circulares avermelhadas que provocam comichão. Pode ser transmitida através de espirros ou contacto com secreções da pele inflamada. O período de incubação do vírus é curto, de apenas 2 dias em média. É uma doença que afecta tipicamente humanos mas que já foi verificada entre outros primatas (chimpanzés e gorilas).
Sintomas
Os primeiros sintomas são enjoos, mal-estar, perda de apetite, dores musculares e de cabeça. Esta fase pode durar apenas um ou dois dias. No entanto, em crianças pequenas, os sintomas da primeira fase não se verificam sempre. De seguida começam a aparecer os sintomas na pele, as previamente referidas marcas circulares, que geralmente aparecem primeiro no tronco e na cara, e só depois nos membros e extremidades. Estas marcas inicialmente não causam problemas, mas passadas 12 horas começam a provocar fortes comichões e podem inchar formando pequenos relevos. Só então começam a aparecer nas palmas das mãos e pés, e até mesmo dentro da cavidade bocal, na forma de úlceras. É também comum ter febre, em geral não muito alta. Em adultos, os sintomas podem ser mais graves, e podem surgir complicações consequentes como pneumonia. Está também verificado que a varicela é mais grave em adultos do sexo masculino do que do sexo feminino ou crianças.
Apesar dos sintomas serem claramente evidentes, o diagnóstico clínico é feito através de análises ao sangue, ou ao muco proveniente das bolhas na pele.
Patofisiologia
O vírus VZV (Varicella zoster virus) provoca a produção de anticorpos de imunoglobulina G (lgG), A (lgA) e M (lgM). Os anticorpos lgG permanecem no organismo durante o resto da vida, o que confere imunidade e impede que o organismo contraia a doença novamente. Após infecção, teoriza-se que o vírus se mova das lesões da epiderme e mucosas para os nervos sensoriais. Fica então preservado latentemente em células dos nervos, e, em 1 terço dos casos, pode ser reactivado anos mais tarde, levando a outros síndromes como herpes-zóster, síndrome de Ramsay Hunt, entre outros. As probabilidades de reactivação são maiores em pessoas com sistemas imunitários comprometidos, devido a SIDA ou cancro, por exemplo. No entanto, stresse elevado também pode ter uma relação com esta reactivação.
Herpes-zóster
Esta é uma das possíveis (e mais comum) consequências da reactivação do vírus VZV. É uma virose, que provoca inflamações na pele diferentes daquelas presentes durante a varicela, e que estão apenas presentes em segmentos de pele inervados pelo ramo nervoso onde o vírus ficou alojado, muitas vezes formando um padrão zigue-zague. O primeiro sintoma deste síndrome é dor localizada, e depois a oclusão das bolhas cutâneas. Esta dor, ao contrário de na varicela, dura em geral um mês, mas em pacientes idosos pode chegar a vários meses ou até anos. O paciente em que o vírus foi reactivado volta a poder transmiti-lo, mas apenas com contacto directo das secreções contidas nas bolhas.
Tratamento
Embora não exista cura para a varicela, pode-se controlar os sintomas. Nomeadamente, deve-se evitar ao máximo coçar a pele nas zonas infectadas, apesar da comichão poder ser dolorosa, para evitar cicatrizes e infecções posteriores. É também comum utilizar banhos de água gelada para aliviar a dor e a comichão da pele.
Curiosidades
Em inglês, o termo comum para a varicela é “chicken pox”. No entanto não se sabe a origem oficial desta nomenclatura, havendo apenas especulações. Uma teoria é o facto das bolhas circulares lembrarem bicadas de galinha.
Pox Parties
Principalmente nos Estados Unidos da América, são comuns organizarem-se convívios para expôr crianças deliberadamente ao vírus. Estas festas surgem organizadas por pais, quando uma criança conhecida (por exemplo, da escola) fica infectada com varicela. A intenção dos pais é que os seus filhos fiquem infectados, já que a doença não é grave nem fatal em crianças, para que fiquem imunes, evitando o aparecimento da doença em datas menos convenientes ou numa idade mais perigosa. Esta actividade é controversa, e não aconselhada pelo serviço nacional de saúde dos EUA. Uma vertente alternativa que também surgiu foi a troca (via correio) de items que levem à infecção (como lenços usados para limpar o muco cutâneo que leva à transmissão). No entanto esta práctica é ilegal.






