A poliomielite é uma infeção causada pelo vírus da poliomielite, considerada muito contagiosa e, por vezes, mortal.

Figura 1 – Poliomielite.
Transmissão do vírus
O poliovírus é o vírus responsável pela infeção conhecida como poliomielite. Esta transmite-se durante a ingestão de substâncias contaminadas por fezes infetadas (ex.: água). A infeção tem como principal foco o intestino, no entanto estende-se ao resto do organismo, mas o cérebro e a espinal medula são os mais gravemente afetados.
O vírus pode propagar-se pelo contacto de água contaminada por fezes humanas, sendo que as crianças com menos de 5 anos de idade são especialmente propensas. A verdade é que a poliomielite afeta sobretudo crianças com idade inferior a 5 anos residentes em países em desenvolvimento de clima temperado, sendo que o vírus tem particular impacto durante os meses de verão e outono. Nos países desenvolvidos, trata-se de uma doença extremamente rara, felizmente, considerando os extensos programas de vacinação.
Como já referido anteriormente, a poliomielite é considerada uma doença de alguma gravidade. Pode causar paralisia irreversível em 1/200 dos casos e, desses, 5 a 10% podem morrer.

Figura 2 – Transmissão da poliomielite.
Causas da infeção
O agente responsável pela infeção da poliomielite é um vírus que é adquirido aquando da ingestão de substâncias contaminadas por fezes.
O vírus é ingerido e replica-se na faringe e ao longo de todo o sistema digestivo, estando presente nas fezes ainda antes do início dos sintomas.
Já com o vírus em replicação dentro do organismo, este passa para a corrente sanguínea e infeta as células do sistema nervoso, destruindo os neurónios motores e, assim, iniciam-se as manifestações típicas da poliomielite.
Manifestações da infeção
- Poliomielite ligeira – este tipo de poliomielite é características das crianças e jovens. Os sintomas iniciam-se entre o 3º e o 5º dia após a infeção e consistem numa sensação de mal-estar geral, febre ligeira, dor de cabeça, irritação da garganta e vómitos.
- Poliomielite grave – este tipo de poliomielite é mais comum nos adolescentes e adultos. Os sintomas iniciam-se entre o 7º e o 14º dia após a infeção e incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez do pescoço e das costas e dor muscular profunda. Em algumas zonas da pele podem se desenvolver sensações de picadas e uma sensibilidade à dor. A doença pode estagnar ou progredir levando à debilidade ou paralisia de músculos, dependendo das regiões do cérebro e da espinal medula que forem afetadas.
- Complicações graves causadas pela poliomielite – a complicação mais grave associada à poliomielite é a paralisia permanente. Embora a paralisia seja rara, a debilidade permanente de um ou mais músculos é bastante frequente. Por vezes, a parte do cérebro responsável pela respiração pode ser afetada e provocar debilidade ou paralisia nos músculos do peito.

Figura 3 – Manifestações clínicas da paralisia provocada pela poliomielite.
Diagnóstico
O diagnóstico clínico da poliomielite é simples e permite uma boa orientação para o tratamento posterior, mas a confirmação é realizada laboratorialmente, sendo possível isolar o vírus numa análise às fezes e detetar anticorpos contra o vírus no sangue.
Tratamento
Atualmente, a infeção por poliovírus não tem cura. No entanto, se os músculos da respiração forem afetados e entrarem em falência, pode ser utilizado um ventilador artificial para a respiração.
O principal foco do tratamento da poliomielite é proporcionar conforto, acelerar a recuperação e evitar complicações para o paciente. O repouso, o uso de analgésicos são fundamentais durante a recuperação. A fisioterapia moderada associada à recuperação ajuda a prevenir deformidades e perda de função muscular.
Prevenção
O principal método para prevenir a poliomielite é através da vacinação.
Existem dois tipos de vacinas, uma com poliovírus inativado (vacina de Salk), que é injetável, e outra com poliovírus vivos (vacina de Sabin), de administração oral. A vacina inativada faz parte do plano nacional de vacinação. Em casos muito raros, a vacina viva pode provocar poliomielite, sobretudo em pessoas que têm um sistema imunitário baixo. Desta forma, a vacina viva não é administrada a estas pessoas porque o vírus vivo elimina-se pelas fezes durante determinado tempo após a vacinação.
Toda a população que nunca tenham sido imunizada e que viaje para uma zona onde a poliomielite ainda representa um problema sanitário deverão ser vacinados.
Fontes: cuf – poliomielite, Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos – poliomielite (sintomas, transmissão e prevenção), Minuto saudável – o que é poliomielite (paralisia infantil), sintomas e vacina

