A diabetes é uma doença metabólica relacionada com níveis elevados de açúcar na corrente sanguínea, que podem derivar da ausência de insulina ou resistência à mesma. A insulina, por sua vez, é uma hormona produzida no pâncreas, e regula o metabolismo de hidratos de carbono e gordura, levando à absorção da glucose do sangue pelo fígado, músculo esquelético e tecido adiposo, que por sua vez é armazenada na forma de glicogénio e triglicerídeos. Esta absorção diminui os níveis de açúcar no sangue de forma necessária ao normal funcionamento do organismo. A insulina é também responvável por prevenir a libertação de gordura para a corrente sanguínea, impedindo que esta seja utilizada como fonte de energia.
CAUSAS
Existem três tipos de diabetes, que se distinguem maioritariamente pela sua origem:
Diabetes Tipo 1
Representa 10% dos casos de diabetes na Europa. Neste caso, o níveis altos de açúcar ocorrem graças à incapacidade do organismo em produzir insulina. É o tipo mais comum entre jovens, e quem sofre dele torna-se insulino-dependente, pois necessita de injecções de insulina. Ocorre pela perda de células produtoras de insulina nos ilhéus de Langerhands no pâncreas, geralmente graças a um ataque auto-imune mediado por linfócitos T. Não existe forma de prevenção desta vertente, e a mesma não está relacionada com obesidade ou hábitos alimentares. É parcialmente herdada, pois precisa da ocorrência de certas infecções para ser “activada”.
Diabetes Tipo 2
Por outro lado, uma pessoa que sofra de diabetes tipo 2 apresenta resistência à insulina. Significa que o pâncreas produz a insulina como num organismo saudável, mas as células tornam-se resistentes a esta, não ocorrendo absorção de glucose. Esta vertente é mais comum entre adultos porque a sua maior causa deriva de hábitos alimentares, aparecendo também na forma genética. Não existe cura, mas existem medidas para controlar a hiperglicemia causada, e mesmo aumentar a sensibilidade à insulina.
Diabetes Gestacional
É o tipo menos comum, mas ocorre quando uma mulher grávida, previamente não diagnosticada com diabetes, apresenta níveis de glucose elevados durante a gravidez, que podem preceder o desenvolvimento de diabetes tipo 2 (ocorre entre 20 e 50% das vezes). Isto pode afectar a saúde do feto. Consequências para o feto incluem danos no sistema respiratório, peso a mais à nascença, malformações musculares, e, em casos mais graves, destruição de glóbulos vermelhos e deficiência na vascularidade da placenta. Por isto, é muitas vezes induzido o parto ou utilizada cesariana precoce para prevenir os danos no feto.
SINTOMAS
Os seguintes sintomas estão relacionados com os tipos 1 e 2 de diabetes, sendo que se desenvolvem mais rapidamente no primeiro:
- Fatiga: Graças à incapacidade do organismo de utilizar glucose como fonte de energia, a ausência ou insensiblidade à insulina facilita a libertação de lípidos para a corrente sanguínea, e estes são metabolizados como fonte energética. No entanto este processo é menos eficaz, o que causa uma sensação constante de cansaço.
- Perda de Peso: A diabetes pode relacionar-se com uma incapacidade de processar calorias ingeridas, especialmente na forma de hidratos de carbono, o que pode levar a uma perda de peso súbita e/ou aparentemente inexplicável.
- Polidipsia (sede excessiva) e Poliuria (urina excessiva): Os níveis elevados de açúcar no sangue sobrepõem a capacidade dos rins de reabsorverem a glucose aquando da formação de urina, levando a formação excessiva de urina para excretar o açúcar. Como consequência, para evitar desidratação, o doente sente uma sede constante.
- Polifagia (fome excessiva): No caso da diabetes tipo 2, os níveis de insulina podem aumentar como tentativa por parte do organismo de combater a insensibilidade. No entanto, a consequência disto é o aumento da sensação de fome, visto que a insulina é responsável por esta sensação.
- Sistema Imunitário: Os níveis altos de glucose no sangue impedem os glóbulos brancos de desempenhar as suas funções normalmente. Isto afecta o sistema imunitário, levando a infecções e a fraca cicatrização de feridas. A presença de glucose nos tecidos também estimula o crescimento de bactérias, o que leva a infecções comuns entre diabéticos, tais como nos genitais, na pele e sobretudo no sistema urinário.
- Visão: Devido a níveis altos de glucose, esta pode ser absorvida pela lente ocular, levando a alterações na sua forma, o que pode originar visão desfocada, e em casos mais graves, cegueira.
Os três tipos principais de diabetes podem igualmente levar a complicações mais graves com o aumento da idade. Como o diagnóstico de diabetes, principalmente no tipo 2, pode não ser fácil na altura do seu desenvolvimento, muitas vezes são estas complicações que servem como sintomas para o diagnóstico tardio. Os problemas mais comuns relacionam-se com os vasos sanguíneos, duplicando o risco de doenças cardiovasculares. O impacto nos rins pode levar a grandes perdas de proteína na urina e até insuficiência renal, com necessidade de diálise. O impacto no sistema nervoso leva a dor, principalmente nos membros e nas extremidades do corpo. É comum, principalmente em diabéticos de tipo 2 com idade avançada, aparecimento de complicações como úlceras nos pés, que geralmente só são controláveis com amputação.
TIPO DE VIDA
Não existindo cura, alguem que sofra de qualquer tipo de diabetes tem de ajustar o seu estilo de vida para lidar com a doença. É necessário controlar hábitos pouco saudáveis, pois os sintomas da diabetes são acelerados quando o doente é fumador, tem colesterol elevado, tem excesso de peso, tem tensão arterial elevada ou não exercita regularmente. Existem medidas, como hábitos alimentares e de exercício, que ajudam a manutenção dos níveis de glucose entre valories aceitáveis para diminuir o impacto da doença. É bastante comum que diabéticos de todos os tipos, ou pessoas que tenham presença de diabetes na sua ascendência, façam medições diárias dos níveis de glucose, recorrendo a aparelhos pequenos e fáceis de utilizar que, através de uma picada no dedo, medem os níveis de glucose com relativa exactidão.
Por fim, fica uma pequena curiosidade: Thomas Edison, famoso inventor e cientista, sofria de diabetes tipo 2.


