Quando nos referimos aos grupos sanguíneos usamos maioritariamente dois sistemas: o A-B-O e o Rh. Estes referem-se a diferentes tipos de antigénios, ou marcadores, presentes na superfície dos glóbulos vermelhos. Sangue do tipo A tem o antigénio A, do tipo B tem o antigénio B, do tipo AB tem ambos, e do tipo O não tem nenhum. Quanto ao sinal positivo (+) ou negativo (-) que normalmente vemos associado ao nosso grupo sanguíneo, refere-se à presença ou ausência de uma proteína chamada de factor Rh.
Qualquer que seja o tipo sanguíneo que tenhas este é determinado geneticamente, ou seja, é para toda a vida. Ou será que é? Há uma forma de alterar o grupo sanguíneo de uma pessoa: transplante de células progenitoras hematopoiéticas. Estas células podem ser encontradas espalhadas no nosso corpo, concentrando-se no interior dos nossos ossos, na medula óssea. No caso do tratamento de tumores hematológicos, como as leucemias e os linfomas, estas células que estão danificadas têm de ser destruídas para dar lugar a células saudáveis. Estas novas células terão de ser introduzidas recorrendo-se a transplantes de medula, podento estes ser autólogos, se o dador for o próprio indivíduo; ou alogénicos, se o dador for outra pessoa.
E quando é que o grupo sanguíneo se pode alterar, perguntam vocês? No caso de um transplante de medula alogénico. Como é que isso é possível se o grupo sanguíneo é determinado geneticamente? Pois bem, as células progenitoras hematopoiéticas existentes na nossa medula óssea são como o seu nome indica progenitoras, ou seja, darão origem a outras células mais especializadas como é o caso dos glóbulos vermelhos. Assim sendo, ao receber um transplante de medula o paciente pode estar a receber células progenitoras hematopoiéticas cujo genoma codifique para outro grupo sanguíneo.
Contudo o nosso corpo está “programado” para atacar células que lhe são estranhas, pelo que seria de esperar que só se pudesse fazer transplantes do mesmo grupo sanguíneo. A questão é que as células progenitoras hematopoiéticas não possuem antigénios A-B, pelo que os marcadores utilizados para verificar a compatibilidade entre indivíduos são os antigénios leucocitários humanos, ou HLA (sigla em inglês para Human Leukocyte Antigen). Ao contrário dos transplantes de órgãos sólidos, como os rins, coração ou pulmões, em que os antigénios ABO são os mais importantes, num transplante de células progenitoras hematopoiéticas, como os transplantes de medula, são os antigénios HLA os mais críticos para garantir um transplante bem sucedido.
Assim sendo, garantindo que o paciente e o dador tenham antigénios HLA iguais, o paciente pode receber células progenitoras hematopoiéticas que darão origem a glóbulos vermelhos com antigénios A-B diferentes dos seus. Ao longo de várias semanas ou meses o seu tipo de sangue original desaparecerá passando o seu sangue a ter apenas o novo tipo.
Fascinante não é?
Fontes:
Could Your Blood Type Ever Change?
Foto: Getty Images

