Um sistema digestivo saudável aloja milhares de bactérias, sendo constituído por órgãos como o estômago, intestino delgado e intestino grosso. Na maioria dos casos estas bactérias são inofensivas ou até benéficas para a nossa saúde. Contudo o tratamento de doenças recorrendo a antibióticos pode levar à disrupção da nossa flora intestinal, eliminando as bactérias benéficas, e permitindo a proliferação de bactérias com efeitos nefastos para o nosso organismo, como é o caso do Clostridium difficile.
Estes microorganismos libertam toxinas que levam à destruição do interior do nosso intestino grosso, uma condição designada por colite. Se não for tratada, esta infecção pode agravar levando à formação do megacólon tóxico, uma doença inflamatória intestinal em que o cólon se encontra bastante dilatado. A forma de tratamento usada nestas situações passa pela administração de outros antibióticos com vista a eliminar esta bactéria em particular, sendo que, no entanto, 20 a 60% dos pacientes recaem. Quando nenhum dos antibióticos usados resulta na eliminação desta bactéria do tracto intestinal, resta apenas uma opção – o transplante fecal.
Este tipo de transplante consiste na administração (habitualmente por colonoscopia) de uma solução salina composta por matéria fecal de um dador saudável, directamente no tracto intestinal do paciente, de modo a alterar a composição da sua flora intestinal. Para além do seu uso no tratamento de infecção por Clostridium difficile há ainda evidência do seu potencial terapêutico no tratamento de outras doenças como a síndrome do cólon irritável, obesidade, síndrome metabólica, entre outras condições gastrointestinais. Uma vez que não é uma forma terapêutica muito convencional, esta ainda é vista como um tratamento de última linha, sendo apenas aplicada em caso de nenhum dos antibióticos utilizados funcionar.
Não se sabe ao certo o mecanismo de acção desta forma de tratamento, mas pensa-se que a presença de outras bactérias, estas inofensivas, possa impedir a proliferação de Clostridium difficile ou sua libertação de toxinas.
Fontes:
“Fecal Microbial Transplantation: A Treatment for Clostridium Difficile”. Johns Hopkins Medicine. Youtube. https://youtu.be/-nDPjGAGEak (Acedido em 5 de Novembro, 2018)
“Fecal microbiota transplant”. Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Fecal_microbiota_transplant (Acedido em 12 de Novembro, 2018)
Gupta, Shaan et al. “Fecal microbiota transplantation: in perspective” Therapeutic advances in gastroenterology vol. 9,2 (2016): 229-39. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4749851/ (Acedido em 12 de Novembro, 2018)

