
Molécula de monóxido de carbono. Formada por um átomo de carbono e de oxigénio ligados por uma ligação tripla
Todos os anos quando chega o frio as pessoas acendem as suas lareiras, braseiras ou salamandras. É também nessa altura que é documentado o maior número de casos de intoxicação por monóxido de carbono. O monóxido de carbono é um gás incolor e insípido conhecido como assassino silencioso. Este tem um mecanismo de ação que atua de duas formas: (1) liga-se à hemoglobina presente no sangue, impedindo o transporte de oxigénio para os tecidos; (2) inibe o processo de respiração mitocondrial nas nossas células, processo importante na produção de energia na célula. No entanto a única forma de tratamento foi desenvolvida há mais de 50 anos! Ainda hoje se utiliza a administração de oxigénio puro a uma pressão superior à pressão atmosférica como forma de tratamento.
No entanto isso pode estar para mudar! No dia 26 de Janeiro de 2016, Ling Wang e Qinzi Xu, dois cientistas da Universidade de Pittsburgh na Pensilvânia, EUA podem ter dado o primeiro passo na descoberta de um antidoto para a intoxicação por monóxido de carbono. Estes fizeram uma experiência em que colocaram um rato numa hotte, anestesiaram-no e ligaram-no a um monitor de sinais vitais. Fecharam então a hotte e encheram-na com ar contendo 3% de monóxido de carbono (concentração letal para a maioria dos seres humanos) na qual o animal ficou durante 4,5 minutos. A sua pressão sanguínea desceu abruptamente e os batimentos cardíacos tornaram-se irregulares. Nesse instante, administraram por via intravenosa uma molécula que tinham desenvolvido no laboratório. Após alguns momentos os sinais vitais voltaram a normalizar e o rato recuperou.
Essa molécula trata-se de um forma mutada da neuroglobina capaz de ligar o monóxido de carbono 500 vezes mais do que este liga a hemoglobina. Esta proteína, normalmente encontrada no cérebro e na retina, liga oxigénio, estando envolvida na sua homeostasia na célula. Ao ser modificada por técnicas de engenharia genética passou a ser capaz de ligar monóxido de carbono, que será posteriormente excretado na urina juntamente com esta. A neuroglobina foi capaz de salvar 87% dos animais aos quais foi administrada uma dose letal de monóxido de carbono durante 5 minutos.
O próximo passo será explorar a eficácia e segurança da administração da neuroglobina em ratos, mamíferos de maior porte e eventualmente em humanos. Um dos grandes handicaps da utilização desta molécula é, no entanto, a quantidade que será necessário produzir para a sua utilização na clínica, um processo algo demorado e dispendioso.
Fontes:
Yan, W. (2016, 7 de Dezembro). An antidote for carbon monoxide poisoning?. Retirado de https://is.gd/G8OgyY
Neergaard, L. (2016, 7 de Dezembro). Researchers on the hunt for an antidote for carbon monoxide poisoning. Retirado de https://is.gd/isBpik
Créditos imagem de destaque: Nelson Garrido | Jornal Público


