Schistosoma é um género de tremátode com distribuição mundial. As espécies mais importantes são S. mansoni, presente na América do Sul, Caraíbas, África e Médio Oriente, e S. haematobium, presente em África e no Médio Oriente. S. japonicum está presente na Ásia Oriental, S. mekongi no Sudoeste Asiático e S. intercalatum está presente na África Ocidental.
A schistosomíase é comum em Portugal devido às viagens. O aquecimento global poderá também estar envolvido no aparecimento de casos autóctones em países europeus.

Vermes adultos de Schistosoma.
Os vermes adultos de Schistosoma possuem duas ventosas, uma ventral e outra oral. Ao contrário de F. hepatica, Schistosoma não é hermafrodita. O macho é achatado no sentido dorsoventral e dobra as abas para formar um canal ginecóforo (por onde andam os gâmetas masculinos) no qual fica a fêmea (que é cilindroide) e não sai mais. A fêmea é maior do que o macho.
Ciclo de vida

Ciclo de vida de Schistosoma.
Os ovos são eliminados nas fezes ou na urina. Em condições ótimas os ovos eclodem e libertam o miracídeo, o qual nada e penetra no hospedeiro intermediário, o caracol (cada espécie de Schistosoma tem o seu caracol específico). No caracol há duas mudas de esporocistos e a produção de cercárias (com uma cauda bifurcada). Estas são libertadas do caracol e penetram ativamente a pele do hospedeiro humano. Apenas a cabeça da cercária entra, perdendo a cauda e adotando a designação de schistosómulo. Os schistosómulos migram por vários tecidos e estadios até os adultos se estabelecerem nas veias. Os vermes adultos residem nas vénulas mesentéricas em várias localizações, consoante a espécie que se trata. S. japonicum estabelece-se nas veias mesentéricas superiores do intestino delgado e S. mansoni encontra-se nas veias mesentéricas superiores que drenam o intestino grosso. No entanto, as espécies podem ocupar ambas as localizações. S. haematobium aparece mais frequentemente nos plexos vesicais da bexiga, mas também pode ser encontrado nas vénulas retais. As fêmeas põem os ovos nas pequenas vénulas do sistema portal e perivesical. Os ovos têm uma casca porosa que permite a absorção de nutrientes e a excreção de produtos tóxicos, o que origina inflamação e consequente rebentamento do vaso. Assim, os ovos de S. mansoni e S. japonicum chegam ao lúmen do intestino e são eliminados nas fezes e os ovos de S. haematobium chegam ao lúmen da bexiga e dos ureteres e são eliminados na urina.
S. japonicum pode também localizar-se no sistema nervoso central.
Sintomas
Esta parasitose causa muitas vezes ascite e hemorragias esofágicas. Também causa irritação cutânea pela penetração das cercárias.
Diagnóstico
Observação de ovos nas fezes ou urina.
Os ovos de Schistosoma são diferentes consoante a espécie, mas todos eles são grandes e têm um espículo terminal ou lateral (à exceção de S. japonicum).
S. mansoni: ovos largos, com um espículo lateral perto da parte posterior. A extremidade anterior é ligeiramente mais alongada e curva. Os ovos expulsos nas vezes contém o miracídeo maduro.
S. haematobium: ovos largos com um espículo terminal fino e pontiagudo. Os ovos têm um miracídeo maduro quando eliminados na urina.
S. japonicum: ovos grandes e arredondados, sem espículo, com apenas uma protuberância.
S. intercalatum: ovos bastante longos e têm um espículo terminal. São eliminados na urina.
S. mekongi: ovos semelhantes aos de S. japonicum, mas mais pequenos. Também possuem uma protuberância pequena.

Ovo de S. mekongi

Ovo de S. mansoni

Ovo de S. japonicum

Ovo de S. intercalatum

Ovo de S. haematobium
Imagens: CDC – Centre for Disease Control and Prevention. DPDx – Laboratory Identification of Parasitic Diseases of Public Health Concern (https://www.cdc.gov/dpdx/schistosomiasis/gallery.html)

