Chegou mais uma sexta-feira e como sempre temos mais um Animal em Destaque para vós. Hoje decidi ser patriótico e convidei um animal que tem várias identidades, um autêntico Jason Bourne. Essa ave é nacional e tem tanta importância para os Açoreanos, como o Queijo Terra Nostra.
O nosso convidado de hoje é o Milhafre Açoreano. Esta ave habita, desde tempos mui antigos, o nosso querido Arquipélago dos Açores. Nesta altura, quando os nossos navegadores chegaram às ilhas, eles confundiram esta ave com o Açor (Accipiter gentilis), e devido a tal erro, chamaram ao arquipélago Açores (devido à população de aves). Assim também está explicado porque está um Açor na bandeira dos Açores, mas a história não acaba aqui.
Deram então o nome de milhafre às aves de rapina da ilha, mas isto implicaria que pertencesse ao género Milvus. O que está errado, pois descobriu-se que as aves são na realidade Buteo buteo rothschildi (a sub-espécie que aqui vive), isto é, deviam ser chamadas de Águias-de-asa-redonda, Minhotos ou Bútios. Mas como já era muito nome, acho que a população da ilha preferiu chamar-lhes de milhafres (Na minha opinião, prefiro este nome também).
Os minhotos apresentam plumagem diversificada que muda ao longo do ano e depende do indivíduo em questão. Possuem entre 51-57 cm de altura e 110-130 cm de envergadura de asa (e são só consideradas aves de rapina de tamanho médio). É uma ave muito oportunista, alimentando-se de quase tudo que lhe apareça à frente (ex: carcaças, mamíferos pequenos, cobras, lagartos e até insectos e minhocas).
Habitam em zonas florestais, mas prefere caçar em lugares abertos (para ter uma vantagem sobre a presa). Como tal prefere florestas perto de pântanos ou clareiras. Falando na espécie como um todo, podem ser encontrados por toda a Europa e parte de Ásia e de África. Normalmente, não formam bandos, excepto durante as migrações ou em habitats de perfeitas condições.
Os milhafres açoreanos tendem a escolher um parceiro para o resto da vida. O macho impressiona a fêmea e tenta conquistá-la através de várias acrobacias aéreas. O território do novo “casal” é então defendido com garras e bicadas, pois esta espécie é muito territorial. Tendem a comunicar com gritos, que curiosamente, dizem-se parecidos a um miar de um gato.
Espero que tenham gostado do Milhafre Açoreano, um verdadeiro caso de múltipla identidade. Acho que eles não pararam de viver suas vidas devido à confusão, tal como o queijo Terra Nostra continua a ser o Natural dos Açores. Queria ainda dedicar este artigo à Verónica.
Este foi o Animal em Destaque de hoje, espero que voltem para à semana, pois eu também tenho de voltar.
Saudações,
Luís M. Tavares
P.S: Não tenho a certeza sobre a história do Açor/Milhafre etc, pesquisei o melhor que pude, mas posso ter romanceado um bocado… ;D



