O que é a epilepsia?
A epilepsia é uma doença do sistema nervoso que causa alterações repetidas, súbitas e breves da actividade eléctrica do cérebro, afectando o seu funcionamento normal, manifestando-se sob a forma de crises epilépticas. As crises epilépticas são episódios de descarga anormal e excessiva de células nervosas cerebrais, que afectam temporariamente (raramente ultrapassando os 15 segundos) a forma como a pessoa se comporta, move, pensa ou sente. Estas crises têm tendência a repetir-se ao longo do tempo, sendo contudo de frequência variável. Pode no entanto surgir crises epilépticas sem que o indivíduo tenha epilepsia e/ou outra doença do sistema nervoso. Essas crises dever-se-ão a alterações a nível da concentração de iões ou diminuição dos níveis de glicose no sangue. Podem também acontecer a indivíduos alcoólicos em estado de privação ou após a ingestão de drogas.
Em Portugal, o número de indivíduos epilépticos ronda os 4 a 7 mil habitantes, ou seja, uma em cada 200 pessoas pode ter epilepsia. Contudo o número de pessoas que pode ter um ataque epiléptico ao longo da sua vida, mesmo não sendo epiléptica, é de uma em cada 20 pessoas.
O que causa a epilepsia?
Não existe normalmente uma causa exacta para o aparecimento da epilepsia, podendo no entanto estar relacionadas situações como:
- lesões cerebrais pré- ou pós-natais
- tumores cerebrais
- infecções (e.g. meningite e a encefalite)
- doenças genéticas
- malformações vasculares no cérebro
- tóxicos (e.g. intoxicação por chumbo)
- malformações do desenvolvimento cerebral
Manifestações clínicas
Existem dois tipos principais de crises epilépticas:
- generalizada primária
- focal ou parcial

Crédito: Harvard Medical School Portugal
A crise epiléptica generalizada primária envolve todo o cérebro e provoca perturbação do estado de consciência. Esta subdivide-se em crise tónico-clónica generalizada ou em crise tipo ausência consoante a gravidade da crise, sendo a primeira normalmente associada à ocorrência de convulsões.
No caso da crise focal ou parcial, esta começa numa área cerebral específica, afectando apenas uma parte do cérebro. No entanto, uma crise parcial pode transformar-se numa crise epiléptica generalizada. A crise parcial subdivide-se ainda em crise parcial simples e crise parcial complexa.
Existe ainda o estado de mal epilético que ocorre quando uma crise epiléptica dura mais de 15 min, podendo ser potencialmente fatal, sendo tratado como um caso de emergência médica.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por meio de entrevista clínica, sendo de extrema importância que o doente se encontre acompanhado por uma testemunha das suas crises epiléticas de forma a auxiliar a sua descrição.
Pode-se ainda recorrer a exames complementares como o electroencefalograma (EEG), tomografia axial computorizada (TAC) e ressonância magnética (RM).
Tratamento
Tendo em mente que se trata de uma doença para toda a vida, não existe tratamento efectivo, existindo no entanto formas da doença que regridem naturalmente.
Contudo, a administração de anti-epilépticos permite muitas vezes um controlo total dos sintomas da doença. Em casos extremos que a medicação não controle, pode-se ponderar cirurgia.
Prognóstico
Caso os doentes com epilepsia tenham períodos de sono regulares, dormindo as horas suficientes, não consumam bebidas alcoólicas, nem substâncias excitatórias como a cafeína e tomem a medicação, o prognóstico será favorável. O paciente poderá levar uma vida completamente normal, não podendo no entanto esquecer-se que há riscos associados à sua condição, devendo então evitar por exemplo a prática de certos desportos que ponham em risco a sua integridade física.
Fontes:
Harvard Medical School Portugal
Liga Portuguesa conta a Epilepsia

