A atual situação do surto do vírus Ébola tem sido uma das notícias em maior destaque por parte dos média e, concomitantemente, rumores e informação enganadora têm surgido por todo o lado. Assim, este artigo tem o intuito de dar aos leitores respostas verdadeiras e de confiança a dez questões relacionadas com este evento:
- O que é a doença do vírus Ébola?
A doença provocada pelo vírus Ébola (EVD, Ebola Virus Disease) é uma doença viral aguda, conhecida como a febre hemorrágica do Ébola. É causada por 3 das 5 espécies do género Ebolavirus. Duas destas espécies são capazes de infetar humanos, mas parecem não causar doença – um indivíduo pode estar infectado com uma destas espécies dar conta. As restantes 3 espécies provocam diversos graus de doença. Infelizmente, o vírus Ébola do Zaire pertence à espécie mais virulenta e foi identificada como a espécie causadora deste surto. Nos surtos anteriores, esta espécie apresentou uma taxa de mortalidade de 90%.
- Qual a origem desta doença?
Ainda não está totalmente esclarecido de onde é originário o vírus, embora se pense que os morcegos poderão ter mantido o vírus no seu trato intestinal. É provável que o vírus tenha sido transmitido para os primatas por ingestão. Os primeiros humanos a serem infetados e a disseminarem a doença terão, provavelmente, contraído o vírus por se alimentarem de algum animal infectado que caçaram. Pensa-se que, tanto morcegos, como porcos ou cães sejam reservatórios do vírus. O primeiro indivíduo infectado esteve no Sudão.
- Quais são os sintomas da doença?
Após contracção do vírus Ébola, este demora até 21 dias até tornar-se sintomático. A doença causa sintomas similares aos de uma constipação comum, incluindo dores de cabeça, dor abdominal, febre, vómitos e diarreia, o que leva a desidratação, falha hepática e renal e hemorragias. Alguns pacientes apresentam choque sético, por níveis anormalmente elevados de citocinas na corrente sanguínea, por resposta imunológica exacerbada e descontrolada. No entanto muitas outras doenças podem provocar estes sintomas, daí serem fundamentais as análises sanguíneas, para despistar outras doenças como malária, hepatite, cólera e meningite.
- Como é tratada a doença
Na verdade, não é tratada. Pelo menos de uma forma direta. No que diz respeito à contracção desta doença, a melhor medida a tomar é a de dar assistência médica: injecção intravenosa de fluidos, para evitar desidratação; manter o paciente frio, para mitigar os efeitos da febre; analgésicos, para dar algum conforto ao paciente; monitorizar constantemente os níveis de oxigénio e a pressão sanguínea. Atualmente não existe nenhuma vacina para prevenção do EVD.
- Qual o prognóstico?
Esta questão e um bocado dúbia e não tem uma resposta clara. Alguns afirmam que a taxa de mortalidade será, a nível global, de 50 a 90%, mas é um intervalo muito grande e não se trata da melhor forma de analisar a situação de uma forma caso-a-caso. O prognóstico depende de muitos factores, incluindo a estirpe do vírus que causa a infecção, o acesso a assistência médica e a rapidez com que é feito o diagnóstico. Os que são diagnosticados e que recebem cuidados médicos numa fase mais inicial têm uma maior probabilidade de sobreviverem à infeção. No entanto, como os sintomas são muito genéricos, o diagnóstico torna-se mais difícil.
- De que forma é que o vírus se dissemina?
O vírus pode ser transmitido por contacto de fluidos corporais, o que é problemático, dada a quantidade de suor, vomitado e dejetos envolvidos no transporte e tratamento dos doentes. O vírus se dissemina através do sémen até sete semanas depois da infecção, mesmo durante o período quando o paciente se encontra assintomático. O Ébola é também um tanto único, dado que este é virulento mesmo algumas horas após a morte do seu hospedeiro.
- Porquê o aparecimento deste surto?
O surto fora declarado em Março, na Guiné. Desde então, a doença tem-se espalhado para a Libéria, Serra Leoa e Nigéria. Dois Americanos, infetados quando se encontravam em África, foram transportados para o Hospital Universitário de Emory, Atlanta, para receberem melhores tratamentos que os disponíveis no Oeste de África. Até ao início deste mês, foram declarados 1323 casos confirmados e 729 mortes (taxa de fatalidade de 55%) no Oeste de África. Trata-se do maior surto de EVD alguma vez registado. 60 dessas mortes foram de assistentes médicos que se encontravam a tentar controlar a doença.
- Deverei eu estar preocupado?
Embora muitos cidadão dos países desenvolvidos estejam preocupados com o que está a ocorrer, muitos dos médicos afirmam que o surto crescera de forma tão descontrolada devido ao local onde este se deu. A região onde se inicio este surto não possui sistemas de assistência médica suficientes e não têm capacidade de resposta suficientes para tratar os doentes nem equipamento de proteção para os seus funcionários. A falta de condições sanitárias permitiram o crescimento rápido deste surto.
Para aqueles que vivem nos países desenvolvidos, não é provável que o vírus se dissemine. O vírus só é transmitido por pessoas que se encontram doentes e todos os maiores portos de entrada apresentam estações de quarentena para identificar viajantes que possam estar infetados. No entanto o Centro de Controlo de Doenças anunciou um aviso de viagem de nível 3 para a Guiné, Libéria e Serra Leoa, para prevenir exposição. Mesmo que fosse transportado para cá, seriam necessárias condições de higiene fracas para se disseminar. É muito pouco provável que este vírus atinja os países desenvolvidos.
- Que medidas têm sido tomadas para combater a doença?
Na medida de avaliar o surto, o CCD enviará 50 especialistas para alguns dos focos mais afectados nos próximos 30 dias. A Organização Mundial de Saúde declarou que o vírus está a difundir-se mais depressa do que se consegue conter. Além da natureza altamente contagiosa do próprio vírus, os oficiais de saúde encontram-se a trabalhar contra crenças culturais que têm mantido alguns casos escondidos, dado que alguns acreditam que a alta taxa de mortalidade significa que ir para quarentena significa morte certa. Existe também o recurso dos a curandeiros e a práticas funerárias que impedem alguns de receber o devido tratamento e que contribuem para a difusão da doença.
Em Abril fora anunciado que uma molécula antiviral era eficaz contra todas as estirpes do Ébola em modelos de ratinho, no entanto não se destinava propriamente para testes clínicos. Um dos Americanos internados em Atlanta recebeu um tratamento experimental. Infelizmente apenas era suficiente para um paciente. No entanto, o outro paciente recebeu uma unidade de sangue de um adolescente que fora tratado para EVD no início deste Verão, na esperança de conter anticorpos que eliminem o vírus.
- Como me posso proteger do vírus?
Qualquer um de nós pode basicamente eliminar a probabilidade de contágio evitando locais onde há surtos de EVD. Se se trata de uma pessoa que viajou para uma das regiões afetadas nas últimas duas semanas ou que esteve em contacto com alguém infetado, certifique-se de lavar as mãos com água morna e sabão e evite levar as mãos à boca ou aos olhos ou tocar no nariz. Deveria também evitar contactar em qualquer dos fluidos corporais de pessoas infetadas. Se se trata de alguém que se encontra infetado, deve isolar-se imediatamente e pedir por assistência médica.
Fonte: IFLS


