Nós enquanto espécie adoramos bebidas gaseificadas. Não sei a razão, mas a verdade é que a sensação efervescente nos proporciona uma experiência muito mais interessante durante o seu consumo. No entanto há um senão…
Existem vários tipos de bebidas gaseificadas, como os refrigerantes e a água com gás, água essa que não é toda igual. Na verdade no mercado das águas naturais encontramos diferentes classes de água: a água mineral natural e a água de nascente (sem gás), a água mineral natural gasosa ou gasocarbónica (com gás natural), a água mineral natural reforçada com gás carbónico natural (quando o gás é proveniente do mesmo aquífero, mas em quantidade superior à que tem no momento da captação), bem como a água mineral natural e a água de nascente gaseificadas (com adição de gás carbónico cuja origem não é o aquífero).
Para criar uma bebida gaseificada artificial é necessário saturar com CO2 a elevadas pressões a água mantida a temperaturas muito baixas, levando assim à dissolução deste gás resultando na criação de ácido carbónico.
De acordo com o que se encontra espalhado na Internet é por vezes dito que o ácido carbónico contido nessas bebidas é o responsável pela destruição do esmalte dos nossos dentes, podendo também levar à formação de pedras nos rins. No entanto, a verdade é que esses efeitos nefastos no nosso organismo não são culpa da carbonação nem do ácido carbónico resultante, mas sim de um outro ácido presente em vários refrigerantes, mas inexistente nas águas com gás, o ácido fosfórico. Este ácido incolor e inodoro, constituído pelo mineral fosfóro, é adicionado aos refrigerantes de modo a balancear com a sua acidez a quantidade de açúcares adicionados. O ácido fosfórico tem ainda propriedades antibacterianas e antifúngicas.
Enquanto a ingestão de fósforo na sua forma orgânica, como presente nos alimentos, é essencial para o correto funcionamento do organismo, a ingestão de grandes quantidades de fósforo inorgânico, como é o caso do ácido fosfórico, pode ter efeitos nefastos. O ácido fosfórico está associado ao desenvolvimento de pedras nos rins pela alteração da composição da urina, como o aumento dos níveis de oxalato que pode então cristalizar. Outro problema é o efeito deste ácido nos dentes, pois uma vez que se trata de um composto bastante acídico é capaz de corroer o seu esmalte.
Enquanto estes dois efeitos são frequentemente atribuídos ao ácido carbónico presente em quase todas as bebidas gaseificada, o verdadeiro culpado é o ácido fosfórico presente nos refrigerantes. Contudo como o ácido carbónico não deixa de ser um ácido, estudos indicam que o consumo de água com gás pode também levar a um ligeiro aumento do desgaste do esmalte, comparativamente a água normal, sendo no entanto um efeito negligenciável. No entanto, uma vez que a água com gás não possui ácido fosfórico nem açúcares a sua escolha continua a ser preferencial relativamente aos refrigerantes.
Quer isto dizer que não devo consumir refrigerantes sob nenhuma circunstância? Não, mas como tudo o seu consumo deve ser moderado.
Fontes:
What Does Carbonated Water Do to Your Body?
Diferentes tipos de água

