
Crédito: Andy Gooday
Reino: Chromista
Filo: Foraminifera
Classe: Monothalamea
Família: Syringamminidae
Género: Syringammina
Espécie: Syringammina fragilissima
Semelhante a uma esponja e composto apenas por uma célula com um diâmetro de até 20 cm, torna o Syringammina fragilissima o maior organismo unicelular do mundo.
Descoberta
Esta espécie foi descrita pela primeira vez em 1882 após dois espécimes terem sido recolhidos pelo navio Triton, no mar do norte da Escócia. O oceanógrafo responsável John Murray (1841-1914) enviou os espécimes recolhidos para o seu colega Henry Brady para examinação. Devido à sua fragilidade, estes encontravam-se bastante deteriorados, pelo que Brady denominou esta nova espécie de Syringammina fragilissima, que significa “frágil tubo de areia”. Murray e Brady tinham então acabado de descobrir o primeiro espécime de uma nova classe de organismos unicelulares, os Monothalamea (anteriormente conhecidos por Xenophyophorea).
Só 2006, foi recolhido um espécime intacto de S. fragilissima numa área denominada de Darwin Mounds, a nordeste da Escócia, tendo 20 cm de diâmetro, demonstrando o incrível tamanho que estes organismos conseguem atingir.
Descrição
Os Monothalamea são uma classe de grandes organismos unicelulares multinucleados semelhantes a esponjas, que podem ser encontrados no fundo do oceano em profundidades de 800 a 10 000 metros. A célula ramifica-se e divide-se em centenas de tubos, que por sua vez também se ramificam formando uma complexa rede. Ao contrário da maioria das células, S. fragilissima possui vários núcleos ao longo dos seus tubos.
À medida que a célula prolifera, esta produz uma estrutura dura em volta de si mesma, designada de testa, a mesma estrutura que foi encontrada na expedição de Murray. Esta é composta por pequenos sedimentos unidos por um cimento orgânico produzido pelo organismo. A testa produzida pela S. fragilissima é uma das maiores estruturas produzidas por um organismo unicelular. Contudo, apesar do tamanho da mesma, a célula pode não ser assim tão grande, pois à medida que a testa vai ficando maior, a célula abandona parte da mesma, que pode então ser ocupada por outros animais como os nemátodes.
Tanto por descobrir
Apesar de existirem em grande número, pouco se sabe sobre estes organismos. Como é que estes se reproduzem? Como é o seu ciclo de vida? Muitos organismos pertencentes ao filo Foraminifera podem alterar a sua forma de reprodução entre sexuada e assexuada, pelo que é provável que seja também esse o caso para S. fragilissima.
Outro mistério por resolver é a forma como este organismo se alimenta. A evidência existente indica que este provavelmente se alimenta de bactérias presentes nos sedimentos que constituem os seus tubos, uma vez que apresentam elevados níveis de colesterol no citoplasma. Outra possibilidade é da existência de estruturas semelhantes a membros que protraíssem para apanhar comida.
Por último é desconhecida a razão de se encontrarem pequenos cristais de sulfato de bário espalhados por toda a célula. Serão apenas detritos ou algo mais?
Infelizmente o facto destes organismos só serem encontrados no fundo do oceano e de serem extremamente frágeis dificulta a sua investigação, o que significa que muito provavelmente não teremos resposta a estas questões num futuro breve.
Fontes:
Marshall, M. (2010). Zoologger: ‘Living beach ball’ is giant single cell. [online] New Scientist. Disponível em: https://www.newscientist.com/article/dn18468-zoologger-living-beach-ball-is-giant-single-cell/ [Acedido a: 26 Ago. 2019]
Wikipedia. (2019). Syringammina fragilissima. [online] Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Syringammina_fragilissima [Acedido a 26 Ago. 2019].
Syringammina fragilissima Brady, 1883. [online] WoRMS. Disponível em: http://www.marinespecies.org/aphia.php?p=taxdetails&id=137339 [Acedido a 26 Ago. 2019]
Syringammina fragilissima: World’s largest unicellular organism. [online] Strange Animals. Disponível em: https://www.strangeanimals.info/2014/09/Syringammina-fragilissima.html [Acedido a 26 Ago. 2019]

