
Imagem histológica do cérebro de um paciente com kuru. Os espaços brancos são os locais onde o cérebro foi destruído pelo prião.
Kuru é uma doença neurodegenerativa incurável rara, endémica das tribos Fore na Papua-Nova Guiné, tendo atingido níveis epidémicos nas décadas de 1950/60. Trata-se de um tipo de encefalopatia espongiforme como é o caso da doença de Creutzfeldt-Jakob (variante humana da doença das vacas loucas). Kuru resulta da prática de canibalismo entre as tribos, em que estes preparavam e consumiam os restos mortais (incluindo o cérebro) dos seus familiares como modo de passar as suas características espirituais à descendência. Desta forma eram contaminados com priões, os causadores da doença, proteínas com um enrolamento anormal capazes de induzir outras proteínas normais a adotar também essa conformação. Isso leva à degradação irreversível do cérebro, adquirindo este uma estrutura espongiforme.
O nome Kuru deriva da palavra Fore, kuria que significa tremer, em referência aos tremores clássicos causados pela doença. As tribos Fore chamam-lhe ainda “doença do riso” devido aos ataques de riso que as pessoas contaminadas com a doença apresentam.
Atualmente é praticamente impossível para uma pessoa comum apanhar esta doença, uma vez que não foram descobertos novos casos desde o desencorajamento da prática de canibalismo.
De forma similar a outras doenças do género, Kuru tem um longo período de incubação (anos a décadas) até que a pessoa infetada apresente sintomas. O principal órgão afetado é o cerebelo, pelo que, sendo responsável pela coordenação, leva à ocorrência de tremores e fala arrastada. Ao contrário de outras doenças, raramente leva a demência, podendo, no entanto, levar a alterações humorais. Os indivíduos contaminados deixam de se conseguir manter em pé ou de comer, entrando num estado de coma vindo a falecer 6 a 12 meses após os primeiros sintomas.
Fontes:

