O cão é considerado, por muitos, o melhor amigo do Homem. De acordo com um estudo recente, publicado na revista Cell: Current Biology, os cachorros nascem prontos para nos entenderem. Os resultados mostraram que os cachorros são capazes de comunicar e interagir com os seres humanos desde muito cedo e sem qualquer treino formal. Apesar dos comportamentos individuais e das situações sociais afetarem o seu comportamento, cachorros com apenas 8 semanas de idade são capazes de olhar para a cara dos humanos quando estes falam e reconhecer quando objetos são apontados. Este tipo de interação e comunicação por linguagem corporal está bem presente na genética destes animais, em grande parte fruto de milhares de anos de domesticação.
No estudo publicado, os investigadores argumentam que mais de 40% da variabilidade mostrada pelos cachorros para interagir com os humanos se deve puramente à genética. Apesar dos números elevados, trata-se de uma variabilidade parecida com a estimada para a herdabilidade da inteligência na espécie humana.

Porque os cães?
Apesar de os humanos domesticarem cães há vários milhares de anos e da extensa seleção de raças para diferentes propósitos, esta resposta dos cães à linguagem corporal e, ainda que em menor extensão, às palavras faladas, é ainda um mistério. Nem os nossos parentes evolutivos mais próximos, os primatas, apresentam tal grau de entendimento.
Os investigadores estudaram 375 cachorros (Golden Retriever e Labradores) e mostraram que as 8 semanas de idade são suficientes para que os animais sejam motivados por recompensas de comida. Apesar dos cães poderem ser sujeitos a treino intensivo, com 8 semanas de idade eles apenas tiveram contacto com os seus irmãos e mãe, com uma limitado comunicação com os seres humanos.
Estes jovens cachorros são capazes de responder ao estímulo de apontar e aos gestos sem qualquer treino prévio. Porém, esta interação requer uma prévia intenção onde o humano inicia uma conversa com o animal. Aquela conversa inicial com o cachorro é essencial para que o animal se foque na pessoa e possa responder aos possíveis comandos subsequentes.
Estes resultados mostram que a capacidade dos cães interagirem com os seres humanos tem uma forte componente genética. Esta descoberta indica que o próprio comportamento dos cães e respetiva interação com os seres humanos é passível de ser selecionada no processo de domesticação.

