A biologia da orientação sexual tem sido uma das questões da genética humana mais difíceis de responder. Foram descobertas pela primeira vez associações entre a homossexualidade e a presença de marcadores epigenéticos no DNA, marcadores estes que podem ser influenciados por factores ambientais.
Estudos realizados com irmãos gémeos e árvores genealógicas fornecem fortes evidências de que a orientação sexual é pelo menos parcialmente de origem genética. Quando um gémeo idêntico é homossexual, existem cerca de 20% de probabilidades de que o outro gémeo também o seja. Contudo, como esta percentagem não é 100% pensa-se que factores ambientais possuam um papel na orientação sexual.
De forma a investigar que factores medeiam a ligação entre o ambiente e o perfil genético, o geneticista Eric Vilain e os seus colegas procuraram por marcadores epigenéticos – modificações químicas no DNA que afectam a forma como os genes são expressos, mas não a informação que contêm. Estes marcadores apesar de poderem ser hereditários, podem também ser alterados devido a factores ambientais tais como o tabagismo, e que nem sempre são partilhados por ambos os irmãos gémeos.
Os investigadores recolheram então amostras de saliva das quais extraíram DNA de 37 pares de gémeos idênticos em que apenas um deles é homossexual, e 10 pares em que ambos são. Ao analisar o seu epigenoma, os investigadores descobriram 5 marcadores que são mais comuns entre os homens homossexuais do que nos seus irmãos heterossexuais. Foi então desenvolvido um algoritmo capaz de prever a orientação sexual dos homens em estudo, acertando 67% das vezes.
Vilain diz não estar surpreso pela descoberta que a epigenética está associada com a orientação sexual, mas diz contudo ser demasiado cedo para fazer conexões entre a presença desses marcadores e um dado factor ambiental, ou com a expressão de um determinado gene. Mais estudos e uma maior e mais larga população serão necessários para se poder chegar a uma conclusão concreta.
Fonte: Nature

