No dia-a-dia pouca importância é dada à forma como as pessoas pensam antes de falar e mesmo à forma como a pessoa articula o seu discurso. Porém, no campo da psiquiatria, isso é extremamente relevante no diagnóstico de certas doenças como a esquizofrenia. Os melhores métodos de diagnóstico com base na entrevista com um psiquiatra permitem precisão de diagnóstico de 79%. Uma nova tecnologia que recorre a computadores permite fazer esse diagnóstico com uma precisão de 100%.
O principal “hallmark” da esquizofrenia é o pensamento desorganizados refletido em padrões de desordem no discurso. Apesar dos bons resultados no diagnóstico feito por entrevista (79%), um novo método, publicado na revista “Schizophrenia” da Nature Publishing Group, pelos investigadores da Universidade da Colombia, do New York State Psychiatric Institute e do IBM T. J. Watson Research Center, dão a conhecer uma método automatizado de avaliação da voz que consegue discernir corretamente entre doentes com e sem esquizofrenia com uma precisão de 100%. Para além disso, permite diagnóstico em jovens com risco de desenvolver a psicose até dois anos e meio antes de a desenvolver.
Para além da avaliação da voz, o computador junta ainda informação recolhida por tecnologias de imagiologia, biomarcadores e gravações de EEG (ElectroEncefaloGramas).
Os autores salientam que em entrevistas de 45 minutos, um episódio indicativo da psicose pode suceder e não ser percebido pelo terapeuta. Ora, ao computador esses episódios não passam em claro.
O algoritmo usado para o diagnóstico procura a forma como o texto é articulado, o tamanho das frases e falhas na construção das mesmas. Os especialistas destacam a importância deste diagnóstico precoce permitido por esta nova tecnologia como uma forma de conseguirem atuar preventivamente sobre a psicose.
O estudo não contempla, contudo, a avaliação da entoação e o volume com que o discurso é proferido, sabendo que estes também podem ser padrões alterados no cenário da psicose. Daí que os investigadores reforçam a ideia de que tem de se continuar os estudos para compreender melhor o discurso e associá-lo ao processo de pensamento.
Por fim, apesar da linguagem ser uma janela para o interior da mente não podemos esquecer os restantes traços do comportamento humano. Assim esta nova tecnologia permitirá complementar e não substituir as observações e interações do terapeuta com o paciente.
Fonte: Mashable

