A melatonina é uma hormona produzida pelo cérebro cujas características permitem alcançar qualquer célula do organismo, ajustar o ciclo sono-vigília, manter um envelhecimento saudável e regular o sistema imunitário.
Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra, Ignacio Vega-Naredo e Paulo Oliveira, publicou na revista “Oncotarget”, resultados que sugerem um tratamento à base da melatonina poderá ser um sucesso, na medida em que a sua ação depende da atividade da mitocôndria da célula cancerígena, a qual é responsável pela produção da sua energia celular. A atividade energética da célula depende do seu estado de evolução, o que significa que a melatonina só é eficaz num determinado estado evolutivo da célula cancerígena.
Ignacio Vega-Naredo explica que “descobrimos que a melatonina matava as células cancerígenas através de uma via mitocondrial. Quando as mitocôndrias das células cancerígenas estavam ativas, a melatonina diminuía a proliferação dessas células e impedia a produção da energia que elas necessitavam. O nosso estudo apresenta o tratamento com melatonina como uma estratégia promissora no tratamento de tumores, atacando células estaminais cancerígenas responsáveis pela sua reincidência”.
Estes resultados indiciam caminhos na investigação do cancro ao indicar a necessidade de criar tratamentos adequados ao estado evolutivo e energético da célula cancerígena, evitando aplicar terapias não específicas que podem danificar células importantes, ou não ter qualquer efeito terapêutico.
No estudo em causa, usaram-se células cancerígenas embrionárias estaminais, nas quais se procurou compreender o mecanismo que torna as células do cancro vulneráveis à melatonina.
Apesar da incerteza quanto ao verdadeiro mecanismo que está na origem dos tumores, sabe-se que as células estaminais cancerígenas são responsáveis pelo desenvolvimento do cancro. Estas células “são ótimas para realizar investigação sobre possíveis tratamentos devido à sua capacidade de escaparem às terapias, algo que pode explicar o ressurgimento dos tumores”, afirma Ignacio Vega-Naredo. Ou seja, “se for possível combater estas células tão resistentes, será possível intervir em qualquer tipo de célula maligna”, conclui.
Fonte: Sapo | Oncotarget (Artigo)


