A Via Láctea inspirou enumeras histórias, pinturas, musicas e poemas ao longo dos séculos, fazendo parte do folclore oriental e de lendas gregas. Contudo, quantos de nós têm o privilégio de olhar para o céu à noite e poder ver a Via Láctea? Certamente não muitos, pois o fenómeno de poluição luminosa afeta aproximadamente 80% do globo.
A poluição luminosa tem-se intensificado na última metade do século, aumentando cerca de 6% todos os anos na América do Norte e Europa. Crê-se que 83% da população mundial, e mais de 99% da população europeia e americana experienciem céus com poluição luminosa.
Um céu é considerado luminosamente poluído quando a luminosidade do céu noturno é 10% superior ao normal. O país com os céus mais poluídos por população é Singapura, seguida pelo Kuwait, Qatar e Emirados Árabes Unidos. Contrariamente, África é o continente com menor poluição luminosa, sendo os 10 países menos poluídos pertencentes a este continente.
A poluição luminosa afeta não só a forma como visualizamos a Via Láctea, mas também o nosso ecossistema e mesmo a nossa saúde. Luz artificial forte no período noturno afeta o movimento migratório dos pássaros, os polinizadores noturnos, como os morcegos, e diminui a produção de melatonina em humanos, levando a ciclos de sono irregulares, aumentando o risco de alguns cancros. Estes efeitos negativos mantêm-se mesmo após as fontes luminosas serem removidas.
Fontes:
[1] Science – Nighttime light pollution covers nearly 80% of the globe


![Níveis de poluição luminosa. Adaptado de [1]](https://img.fciencias.com/uploads/2016/06/night_polution-400x244.png)