A galinha-d’angola (Numida meleagris) é a ave melhor conhecida da família Numididae. É também a única espécie existente pertencente ao género Numida. É uma ave nativa africana, especialmente das terras a sul do deserto do Saara. Hoje em dia, também podem ser encontradas nas Caraíbas, no Brazil (onde foi introduzido pelos Portugueses), na Austrália e Europa.
No início da colonização europeia da América do Norte, os perus selvagens (Meleagris gallopavo) foram confundidos com a galinha-d’angola devido ao aspecto semelhante. Actualmente, são reconhecidas nove sub-espécies de N. meleagris.

A galinha-d’angola possui manchas azuis na sua cara, acompanhadas de uma saliência óssea no topo da sua cabeça. Autor: Ken Goulding.
A galinha-d’angola é uma ave de porte grande, medindo 53-58 cm de altura. Possui um corpo redondo, uma cabeça pequena e pode chegar a pesar aproximadamnte 1,3 kg. A plumagem é de cor preta-acinzentada, com manchas brancas espalhadas pelo corpo. Como outros indivíduos da família Numididae, possui uma cabeça sem penas e com uma saliência óssea, de cor avermelhada ou amarelada. A pele da cabeça pode ainda estar coberta com manchas azuis ou vermelhas. As suas asas são pequenas e arredondadas. A sua cauda tabém é pequena. As diferenças entre as várias sub-espécies prendem-se com a a aparência da saliência óssea e da cara.
Esta ave é uma espécie muito gregária, formando assim bandos fora da época de acasalamento (esta atinge o pico durante o verão). Bandos esses de quase 25 aves. Assim às vezes é normal haver infestações de carraças. As galinhas-d’angola são aves terrestres, que tendem mais a correr, do que voar quando assustadas. Como outros galináceos, os vôos são esporádicos e muitas vezes planam no ar para cobrir longas distâncias. São aves capazes de fazer quase caminhadas de mais de 10 km num único dia.
Alimentam-se principalmente de sementes, frutas, ervinhas, caracóis, aranhas, minhocas, insectos, sapos, lagarts e pequenas cobras. Também se alimentam de pequenos mamíferos se conseguirem. As galinhas-d’angola utilizam fortes garras para separar a terra enquanto procuram alimento, como as galinhas domésticas. Às vezes, chegam mesmo a desrraízar plantas com tais ações.

Possui uma plumagem escura sarapintada com manchas brancas. Autor: Bob Fabry.
Os machos tendem a ser agressivos entre si, podendo chegar a haver lutas bem agressivas que resultam em ferimentos. O ninho costuma estar bem escondido e contém cerca de 6-12 ovos que a progenitora incuba por 26-28 dias. Porém há ninhos que contém mais ovos, o que indica que há outras progenitoras a utilizar o mesmo ninho. Os ovos são relativamente grandes e nenhuma galinha conseguiria incubar tantos ovos. As galinhas-d’angola domésticas produzem ovos de casca mais grossa e também são conhecidas por abandonar as suas crias. Estas têm uma coloração acastanhadas e passada uma semana já conseguem esvoaçar . A galinha-d’angola selvagem pode chegar a viver até cerca 12 anos.

As crias desta espécie possuem uma coloração acastanhada com manchas pretas. Autor: Ken Goulding.
A galinha-d’angola possui um estatuto pouco preocupante, estando as suas populações bastante saudáveis e bem dispersas pelo mundo.
O acasalamento ocorre em habitats secos e abertos, com arbustos espalhados e árvores perdidas, típico de uma savana. Algumas populações já se aproximaram dos subúrbios da Cidade do Cabo, na África do Sul. Onde procuram comida e às vezes invadem jardins. Podem fazer bastante ruído pelas manhãs, visto que costumam dormir nos telhados. Também podem ser um impeçilho para o trânsito, embora não costumam ser atropelados. Evitam cães e costumam lidar bastante bem com gatos.
Fonte: Wikipedia

