A acidúria isovalérica é uma doença hereditária causada pela deficiência de isovaleril-CoA desidrogenase, uma enzima envolvida no metabolismo da leucina, um aminoácido essencial, tendo sido a primeira acidúria orgânica reconhecida no Homem.

Esquema da metabolização da leucina. A isovaleril-CoA desidrogenase é a enzima envolvida no terceiro passo. Acta Pediatr Port 2008;39(1):30-40
O défice de isovaleril-CoA desidrogenase na cascata de degradação da leucina, enzima responsável pelo terceiro passo da sua metabolização, leva à acumulação de derivados do isovaleril-CoA, nomeadamente o ácido isovalérico, um composto com elevada neurotoxicidade.
A manifestação da doença inicia-se logo nos primeiros dias de vida do recém-nascido, com o mesmo apresentando vómitos, desidratação e perda de peso progressiva, podendo ainda existir convulsões, ou nos casos mais graves coma.
É uma das doenças despistadas aquando a realização do teste do pezinho efetuado nos primeiros dias de vida do bebé, sendo a sua deteção feita por espectrometria de massa em tandem (MS/MS) através da identificação da isovalerilcarnitina na amostra de sangue recolhida.
A doença tem um modo de transmissão autossómico recessivo, o que significa que apenas no caso de ambos os progenitores serem portadores de um alelo mutado, a doença poderá ser passada à descendência. Geneticamente sabe-se que a doença é causada por mutações no gene que codifica para a enzima, presente no braço longo do cromossoma 15. As mutações são bastante heterogéneas, não havendo uma correlação direta entre o genótipo e o fenótipo.
O seu tratamento baseia-se numa dieta com uma moderada ingestão de proteínas, assim como na administração oral de glicina e carnitina. Uma vez que os ácidos orgânicos acumulados se ligam à carnitina presente no plasma, sendo excretados sobre essa forma na urina, ocorre muitas vezes um défice secundário de carnitina. Por essa razão é administrada carnitina de modo a repor as reservas e aumentar a excreção urinária dos tóxicos acumulados. Deve ainda ser administrada glicina pois esta possui um efeito depurador semelhante, levando à excreção urinária de isovalerilglicina.
Uma característica particular desta doença é o distinto odor a pés suados que os pacientes apresentam, devido à acumulação de ácido isovalérico no organismo. Este composto está ainda presente em alguns queijos com odor pungente.
Fontes:
Acta Pediatr Port 2008;39(1):30-40


