António Egas Moniz nasceu em Avanca, perto de Aveiro, em 29 de Novembro de 1874. Realizou a sua instrução primária e estudou Medicina na Faculdade de Coimbra.
Depois de concluir os estudos em medicina em 1899, foi para França aprofundar o seu conhecimento sobre neurologia, aprendendo com os grandes neurologistas da época Raymond, Pierre Marie, Degérine e Babinski. Em 1911 de regresso a Portugal, vem lecionar a cadeira de Neurologia, instituída pela primeira vez, simultaneamente exerce medicina no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Em Junho de 1927, consegue pela primeira vez ver as artérias do cérebro utilizando raio-X (angiografia), alcança um dos seus grandes marcos profissionais, marco este que lhe valeu o Prémio de Oslo em 1945. (“Quando em Junho de 1927, consegui ver pela primeira vez ao raio x as artérias do cérebro, através dos ossos espessos do crânio, tive um dos maiores deslumbramentos da minha vida”). Para além deste grande feito, Egas Moniz desenvolveu também a Leucotomia Pré-Frontal, um técnica cirúrgica que consiste em cortar a massa branca do lobo pré-frontal, para aliviar os sintomas de determinadas doenças mentais, como esquizofrenia e psicoses; para a realização desta técnica desenvolveu um instrumento cirúrgico designado, leucótomo. Esta cirurgia levou a que ganhasse, em 1949 o primeiro e até hoje único Prémio Nobel da Medicina, atribuído a um português.
Os doentes mentais que sofrem de desordens obssessivo-compulsivas, envolvem pensamentos repetitivos, que dominam todos os processos psicológicos, por isso Egas Moniz calculou que se cortasse as fibras nervosas que unem o córtex frontal e pré-frontal ao tálamo (uma estrutura localizada no meio do cérebro, e responsável por transmitir as informações sensoriais para o neocórtex) , ele, achava que poderia ocorrer uma interrupção nos pensamentos repetitivos, permitindo que o paciente psicótico levasse uma vida mais normal. Os resultados foram de certa forma inconclusivos, pois em alguns casos os pacientes melhoraram, mas noutros não. E por isso, o médico português indicou que este procedimento deveria ser realizado apenas em último caso, quando já não houvessem mais alternativas.
Egas Moniz teve também um papel ativo no âmbito político, realizando alguns cargos de importância significativa, no entanto abandonou a política quando foi instaurado o regime salazarista.
Morre em Lisboa no dia 13 de Dezembro de 1955. Atualmente a casa onde nasceu em Avanca e passou a sua infância, foi tornada casa museu, estando aberta ao público.
