Dependendo da espécie, as baleias são capazes de migrar até 22 500 km pelos oceanos. Quanto ao porquê de o fazerem, várias sugestões têm sido dadas ao longo dos anos, desde a disponibilidade de alimento, ao facto da água mais quente ajudar as baleias a engravidar. Mas de acordo com um grupo de investigadores, pode tratar-se na verdade de um tratamento de beleza para a sua pele.
Os cetáceos (infraordem) dividem-se em duas grandes parvordens: a parvordem Mysticeti (baleias sem dentes) e a parvordem Odontoceti (baleias com dentes). As baleias-jubarte, pertencentes à parvordem Mysticeti, são famosas pelas suas extensas migrações. A actual hipótese que as leva a fazer essas migrações prende-se com o facto de se deslocarem para águas mais frias no verão para se alimentar, e para águas mais quentes no inverno onde dão à luz as suas crias. Os cientistas creem que as águas mais quentes podem ser um local mais seguro para dar à luz, devido a haver menos predadores nessa área nessa altura do ano. Outra hipótese prende-se com o facto de que água mais quente representar um menor choque térmico para as crias acabadas de nascer.
No entanto, enquanto ideia de alimentação-reprodução pode explicar o porquê das baleias da parvordem Mysticeti migrarem, nem todas as baleias o fazem pela mesma razão.
Por exemplo, no caso das orcas, pertencentes à parvordem Odontoceti, foi publicado um estudo em 2019 que acompanhou a migração de 62 orcas desde a Antártida até à costa leste da América do Sul, onde a temperatura da água é maior. Os cientistas verificaram que algumas destas migrações eram tão rápidas, as orcas não tinham tempo para dar à luz. Vindo corroborar essa informação pequenas crias foram observadas a acompanhar as progenitoras durante a migração para Norte pelo que não poderia ser essa a razão da sua migração. Juntando-se a estes argumentos, as orcas viajavam “em velocidade de cruzeiro” e próximo da superfície, o que vai contra o que é conhecido relativamente à forma como se alimentam. Em suma, os cientistas acreditavam que tinha de haver outra razão para as suas migrações.
Em 2011, o mesmo grupo de cientistas observou que durante certas alturas do ano as orcas apresentavam na sua superfície uma camada lamacenta, que identificaram como sendo algas. No entanto, noutras alturas as mesmas orcas encontravam-se completamente limpas. Isto levou a que propusessem que estas baleias fizessem as suas migrações como uma espécie de tratamento de beleza, uma ida ao SPA por assim dizer. A razão para tal deve-se ao facto de nas águas frias da Antártida as orcas limitarem a circulação de sangue para a sua pele, de modo a evitar perdas de calor. Assim sendo essas viagens permitiriam-lhes aumentar o fluxo sanguíneo para a sua pele renovando-a, libertando-se assim da camada de algas que as envolve.
Contudo trata-se apenas de um artigo, pelo que mais evidência será necessária para se compreender melhor a razão das suas migrações.
Fontes:
Why Killer Whales Migrate (It’s Not Why You Think)
Skin in the game: Epidermal molt as a driver of long‐distance migration in whales
Scientists say they’ve cracked the mystery of why whales migrate—and it’s all about healthy skin
Imagem de destaque: Getty Images/Cultura RF

