Em 1950 a maioria das bananas era exportada da América Central para o resto do mundo, sendo a Guatemala o principal foco de produção. A empresa por detrás deste vasto império era a americana United Fruit Company (actualmente conhecida por Chiquita). Enquanto grandes somas de dinheiro foram investidas na produção e transporte das bananas para fora do país, pouco foi investido em conhecer a própria biologia da banana.
A United Fruit de forma semelhante a tantas outras empresas envolvidas na produção e exportação de bananas, descobriu a “fórmula mágica” daquilo que era considerada a melhor banana – neste caso a variedade Gros Michel – e a sua produção de bananas passou a consistir apenas nessa variedade. No entanto, uma vez que estas bananas praticamente não possuíam sementes (para nosso deleite), a única forma destas se reproduzirem é através de clonagem, por replantação de rebentos da planta. Assim sendo, virtualmente todas as bananas que cresciam nos anos 50 em Guatemala eram geneticamente idênticas.
Para a indústria isto era algo incrível pois sabiam com o que podiam contar – previsibilidade – uma característica importantíssima em qualquer negócio. Colheita após colheita as bananas eram iguais, todas apresentavam o mesmo tamanho, e sabiam tal como esperado. Contudo biologicamente isto representava um problema. Ao não haver variabilidade genética as bananas estavam susceptíveis a pestes e patógenos, que ao atingir as plantações levaram à sua dizimação.
Bem, e foi exactamente isto que aconteceu. Com a chegada daquela que ficou conhecida com a doença do Panamá, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. cubense, praticamente toda a produção de bananas Gros Michel foi devastada.
Em vez de tentarem solucionar o problema que tinham em mãos, a solução das grandes indústrias passou por encontrar uma variedade de bananas que fosse resistente a este patógeno e que se assemelhasse minimamente a esta tão preferida variedade de bananas. Com isto surgiu então a tão conhecida banana Cavendish, sendo aquele que mais facilmente encontramos hoje nos supermercados. No entanto esta banana em pouco se assemelhava à Gros Michel, não tendo o mesmo sabor e sendo menos doce. Ainda assim, visto que podia ser plantada nos mesmos terrenos que tinham sido previamente dizimados e que já tinham as infraestruturas necessárias, foi esta a variedade escolhida e propagada da mesma forma que em tempos tinha sido a Gros Michel.
Desta forma os mesmos erros foram cometidos, e como seria de esperar, a banana Cavendish encontra-se actualmente em risco devido ao surgimento de uma nova estirpe do patógeno que nos anos 50 dizimou a produção de Gros Michel. Actualmente esta estirpe encontra-se em disseminação da Ásia para a Africa Oriental, sendo apenas uma questão de tempo até atingir a América Central onde ainda hoje se encontra a maior produção de bananas a nível mundial.
Portanto se nada for feito a este respeito, a banana Cavendish pode realmente ser um fruto do passado, tal como a Gros Michel o é para muitos dos nossos antepassados.
Imagem de Destaque: David Paul Morris/Bloomberg via Getty Images
Fontes:
Dunn, R. “Humans Made the Banana Perfect—But Soon, It’ll Be Gone”. Wired. https://www.wired.com/2017/03/humans-made-banana-perfect-soon-itll-gone/ (acedido em 27 de Novembro, 2017)




