Gelo seco é nada mais que dióxido de carbono em estado sólido. Este é normalmente utilizado na refrigeração de alimentos perecíveis ou produtos químicos que necessitem de ser mantidos a baixas temperaturas, no caso de não haver refrigeração elétrica disponível, sendo muito utilizado durante transporte. Este possui a vantagem de possuir uma temperatura mais baixa que o gelo comum e de não deixar resíduos pois passa diretamente do estado sólido ao estado gasoso, processo conhecido por sublimação.
O gelo seco sublima a uma temperatura de -78,5 °C à pressão atmosférica normal. A baixa temperatura do gelo seco torna-o um sólido perigoso de manusear sem proteção adequada, podendo causar queimaduras. Não é considerado tóxico, mas ao sublimar leva a um aumento dos níveis de dióxido de carbono em espaços confinados, podendo causar hipercapnia e mesmo levar à morte.
Foi por esta razão que Edward Marten, escritor e médico legista, considerou o gelo seco a arma do crime perfeita.
Inspirado por um trágico acidente, escreveu no seu livro “The Doctor Looks at Murder“, publicado em 1940, aquele que considerou ser o cenário para um assassinato ideal. A sua ideia surgiu após 5 estivadores terem sido encontrado mortos no convés de um barco de carga atracado na margem do Rio East, a este da ilha de Manhattan, Nova Iorque. O barco que transportava cerejas possuía o local de descanso, onde os trabalhadores dormiam, no mesmo local que a carga. Para surpresa dos seus colegas, quando começaram a descarregar as cerejas, os cinco homens foram então encontrados já sem vida nas suas camas.
Após a chegada dos investigadores ao local, descobriram que a forma utilizada para manter a fruta em boas condições foi através da utilização de grandes contentores com gelo seco. Contudo, ao sublimar, o gelo seco, sendo mais denso que o ar circundante rico em oxigénio, começou a ocupar toda divisão onde eles dormiam, tornando o ar irrespirável.
Durante a autópsia, verificou-se que estes possuíam uma grande concentração de dióxido de carbono no sangue, indício de morte por asfixia. Contudo, esta evidência não seria suficiente para deslindar o caso, não fosse já se saber da existência dos contentores de gelo seco. O dióxido de carbono está naturalmente presente no nosso sangue, uma vez que é um subproduto da nossa respiração celular. Quando este atinge um certo limite, nós expirarmos. Contudo se uma pessoa morrer sufocada, impedindo o momento da expiração, o dióxido de carbono também se encontra em elevada concentração no sangue.
Devido a esta situação, Edward Marten sugeriu então o seguinte cenário: uma pessoa a dormir pacificamente na sua cama. O assassino entra transportando cuidadosamente consigo gelo seco, coloca-o no chão junto à cama do alvo, certifica-se que todas as janelas estão bem fechadas e fecha a porta ao sair. Em algumas horas a vitima irá sufocar devido à ausência de oxigénio. Quando alguém abrir a porta passado esse tempo, será tarde demais e voltará a encher o quarto de ar fresco, eliminando assim todas as evidências da arma do crime.
Fontes:
Marten, M. E. (1940). The Doctor Looks at Murder. New York, NY: Blue Ribbon Books
Blum, D. (2011, 2 de Agosto). A view to a kill in the morning: Carbon dioxide. Retirado de: https://is.gd/Hl5Dh0
Szokan, N. (2014, 28 de Abril). ‘Is That a Fact?’ looks at scientific curiosities — and untruths. Retirado de: https://is.gd/o9Co79
Dry Ice. (n.d.). Retirado de: https://is.gd/aPPam7


