Cientistas da Universidade de Oxford descobriram vestígios de seda de aranha enclausurados dentro de um pedaço da âmbar formado há 140 milhões de anos.
A teia é muito semelhante às das aranhas modernas, que tecem uma teia em espiral para capturar insectos.
A descoberta sugere que as aranhas que tecem teias em espiral existiam muito antes do que antes se pensava, numa época anterior à do aparecimento das plantas angiospérmicas, que desencadearam o aparecimento de uma grande variedade de insectos voadores.
Os cientistas acreditam que a teia tenha ficado presa na resina de uma conífera aquando um incêndio florestal, e que posteriormente ficou fossilizada no âmbar resultante.
Eles esperam que, ao estudar pedaços de âmbar resultantes do mesmo depósito, possam aprender mais sobre as aranhas daquela época e sobre as presas, das quais se alimentavam.
Estruturas responsáveis pela torção dos filamentos de seda de aranhaO professor Martin Brasier, um paleontologista da Universidade de Oxford que liderou este estudo, disse que a teia “é consistente com as das aranhas tecedoras de teias espiraladas”. “O espaçamento entre os fios da amostra sugerem que estes seriam os suportes estruturais da teia”.
“Os fios são constituídos por dois filamentos unidos, tal como acontece com as teias modernas. A aranha enrola os filamentos através de umas estruturas especializadas localizadas na parte posterior do abdómen”, disse o Professor Brasier, referindo ainda que “é maravilhoso ver algo tão delicado sobreviver tantos milhões de anos”.
O âmbar foi encontrado pelo caçador de fósseis amador Jamie Hiscocks numa praia próxima de Bexhill, em East Sussex, que é famosa pelas suas pegadas de dinossauro fossilizadas.
Usando técnicas avançadas de microscopia, os cientistas conseguiram “espreitar” o interior do âmbar e construir uma imagem do que se encontra encerrado nele. Ao compararem as 40 imagens tiradas, eles descobriram filamentos de teia de aranha com mais de um milímetro de comprimento.
Os pedaços de casca de árvore e resina queimadas que residem no interior do âmbar sugerem que a árvore que produziu esta resina fossilizada sofreu danos severos consistentes com um incêndio. Também fora encontrado carvão fossilizado no depósito de fósseis, próximo do âmbar e de pegadas fossilizadas de Iguanodon, um herbívoro de grandes dimensões.
Até agora a teia de aranha mais antiga que fora descoberta datava de 130 milhões de anos de idade, e o fóssil mais antigo de uma aranha tecedora de teias espiraladas fora descoberta num fragmento de âmbar com 120 milhões de anos de idade.
Esta última descoberta prova que os aracnídeos que tecem teias espiraladas existiam milhões de anos antes do que o que se pensava. Estruturas delicadas, como teias de aranha, raramente se fossilizam e só se preservam se forem capturadas por resinas.
São extremamente raros os depósitos de âmbar com mais de 100 milhões de anos. Os cientistas acreditam que o âmbar de Bexhill revelará ainda mais segredos.
O Dr. Samuel Zschokke, um perito da Universidade de Basel em teias de aranha ancestrais, que descobriu a teia de aranha de 130 milhões de anos, no Líbano, disse: “Isto é muito excitante. Pelos vistos foi estabelecido um novo recorde”.
“A seda de aranha evoluiu, provavelmente, no Período Devónico e foi provavelmente usado para construir teias durante 200 milhões de anos. O fator limitante para estes fósseis de seda de aranha não é a ocorrência de seda nestes períodos inicias, mas sim a existência de âmbar”.
Fonte: The Telegraph
