No mês passado, quando o Sol libertou a tempestade electromagnética mais intensa desde 2003, carregada de pá rtículas, um grupo de estudantes do ensino secundário de Bishop (Califórnia) soube exactamente o que fazer: lançaram uma galinha de plástico para o Espaço.
Os estudantes usaram um balão de Hélio para elevar a galinha, Camilla, a uma altitude de 120000 pés (cerca de 36000metros), onde foi exposta a protões altamente energéticas.
“Equipamos a Camilla com sensores de radiação”, disse Sam Johnson, estudante da Bishop Union High School e membro do grupo do projecto Earth to Sky.
Lançar uma galinha de plástico em direcção a uma tempestade solar pode parecer estranho, mas os estudantes têm uma boa razão: eles estão a realizar um projecto de astrobiologia.
“no final deste ano, nós planeamos lançar uma espécie de micróbio para descobrir se eles conseguem viver no Espaço”, explica Rachel Molina, membro do projecto, explicando também que este foi um “um voo teste”.
Camilla tornou-se a mascote do Solar Dynamics Observatory da NASA, ficando muito famosa entre os amantes do Espaço
No exterior do seu fato espacial foram adicionados crachás de radiação, que medem os níveis de radiação a que esta é exposta (os mesmos que são usados por técnicos que se encontram expostos a doses de radiação significativas)
Na verdade, Camilla voou duas vezes – a primeira vez a 3 de Março, antes da tempestade solar, sendo lançada num dia de céu limpo e a segunda vez no dia 10 do mesmo mês, com o finalidade de fornecer um termo de comparação.
No primeiro voo realizado (que durou duas horas e meia), Camilla esteve cerca de noventa minutos na estratosfera, exposta a temperaturas (-40°C a -60°C), e a pressões (1% da pressão atmosférica ao nível do mar) são semelhantes às condições atmosféricas de Marte. O balão rebentou, como planeado, a 34Km de altitude e o para-quedas permitiu a aterragem segura veiculo de transporte. Este veículo encontrava-se dotado de quatro câmaras, um termómetro criogénico e dois localizadores GPS. Sete insectos e duas dúzias de sementes de girassol também contribuíram para o teste.
No segundo voo, Camilla atravessou uma das mais fortes tempestades de protões. Durante o segundo lançamento de Camilla, satélites geostacionários evidenciaram uma contagem de protões 30000 vezes superior ao valor normal.
Os “assistentes” do quinto ano plantaram recentemente as sementes de girassol para verificar-se as alterações que estes níveis elevados de radiação poderão ter provocado e irão dissecar os insectos (dado que nenhum sobreviveu) para a obtenção de mais informações.
Entretanto, os crachás de radiação da Camilla foram enviados para um laboratório de análises.
Os estudantes dizem que estão a pensar enviar Camilla de novo para o espaço, para novas aventuras.
