Um grupo de cientistas da Universidade de St Andrews publicou, no passado dia 27, um artigo onde apresentam os seus resultados referente a um estudo genético em Drosophila melanogaster (mosca da fruta) de forma a perceber os comportamentos homossexuais.
Vários são os investigadores que procuram perceber de que forma os comportamentos homossexuais são vantajosos e como é que isso pode ser preservado de geração em geração. Este estudo recente mostra, não só, que os comportamentos homossexuais (same-sex sexual behavior ou SSB) podem ser hereditários, como também o facto de fêmeas associadas a esta peculiaridade apresentam maiores taxas de fertilidade e reprodução.
Se um determinado comportamento ou característica não for vantajosa para a sobrevivência e manutenção de uma dada espécie, não será de esperar que esta permaneça ao longo das gerações. A questão é como é que os comportamentos homossexuais podem trazer vantagens para a espécie, homossexualidade esta que foi observada em mais de 1500 espécies diferentes.
Trabalhos teóricos anteriores apresentam duas hipóteses para justifica a resistência de SSB, a sobredominância e o antagonismo sexual. A primeira descreve um possível modelo genético, em que os indivíduos heterozigóticos para certos genes são mais capazes de se reproduzirem porque possuem vantagem evolutiva de apresentarem duas cópias diferentes para o mesmo gene. A última descreve um mecanismo pelo qual genes prejudiciais para um dos géneros pode ser vantajoso para o outro.
Abordagem
Estes autores tentaram obter mais respostas com recurso a moscas da fruta e à sua análise genética e comportamental. Foram então fazer uma avaliação do genoma e dos genes que pudessem estar envolvidos nestes SSB e os respetivos comportamentos homossexuais (SSB).
Metodologia
Para isso, os cientistas (1) analisaram o genoma dos machos e também o seu comportamento com outros machos. Isto envolveu a análise da frequência de comportamentos de corte sexual, como exemplo lamber, cantar ou tentativa de montagem para cópula. (2) Depois foram olhar para as diferencias genéticas entre os machos que apresentavam maior frequência de comportamentos homossexuais (SSB) e compará-las com os que apresentavam menor frequência. (3) Por fim pegaram nestes diferentes grupos de machos, cruzaram com fêmeas e observaram a sua descendência.
Resultados
Os resultados apontam para que as duas teorias propostas possam estar corretas. Na verdade, o resultado mais interessante foi o facto das fêmeas que descendiam de machos com elevada frequência de SSB (comportamentos homossexuais) possuíam maiores taxas de reprodução e fecundação.
Conclusão
Em suma, parece que os comportamentos homossexuais, com base nos seus backgrounds genéticos, parecem trazer vantagem evolutiva para as fêmeas, apesar de ser um obstáculo aos machos. Este balanço pode justificar a manutenção destes indivíduos ao longo das gerações.
Fontes: IFLS e Royal Society


