Hoje o tema do Espaço Saúde, traz-nos uma patologia que presumivelmente o acomete o doente para toda a vida, mas que no entanto, a única manifestação clínica é uma hiperbilirrubinemia não conjugada discreta e não sintomática, sendo que, muitas das vezes, pode ser confundida com hepatopatia crónica ou outras hepatopatias.
Esta síndrome pode afetar cerca de 5% da população, apesar de membros da mesma família, muitas vezes, serem acometidos, no entanto, ainda não há um padrão de herança genética conhecido.
O que se verifica em termos da patogenicidade desta síndrome são os diversos defeitos complexos que existem na captação da bilirrubina pelo fígado. A atividade da glicuronil transferase está anormalmente baixa. Em muitos pacientes, também ocorre uma ligeira destruição dos eritrócitos. A morfologia e histologia do fígado apresentam-se normais.
Normalmente, o diagnóstico ocorre em adultos jovens de forma acidental aquando da realização de exames de rotina, sendo detetada uma elevação da bilirrubina, que tende a estar mais elevada ainda em situações de jejum e stress. Esta síndrome difere das hepatites por apresentar elevação predominante da bilirrubina indireta, outras provas de função hepática estão normais e não há presença de bilirrubina na urina. Diferencia-se também da hemólise pela ausência de anemia e reticulocitose.
Não há necessidade de tratamento nesta síndrome.

