“No mundo hodierno, a banalização da violência e do sofrimento é uma realidade.”
A cada momento que passa somos invadidos por notícias e imagens de violência e puro sofrimento, algo que de tão banal nos deu imunidade à dor. Não nos podemos esquecer, pois, de “agradecer” esta “conquista” à comunicação social, em particular às televisões e aos jornais.
Sair de casa, comprar o jornal, ler as notícias antes de chegar ao emprego é uma rotina comum a muitos cidadãos do mundo. Aparentemente, este seria um gesto inofensivo para a nossa sanidade psicológica, da mesma forma que o foi durante largos anos. Porém, hoje em dia, nem é preciso abrir o jornal para nos depararmos com imagens e grandes manchetes chocantes para quem não está acostumado a lê-las, tal é a violência, dor e sofrimento que transmitem.
A televisão deu um importante contributo na aquisição por parte dos telespectadores de uma insensibilidade à dor. Quem já parou para ver os programas da manhã (e da tarde) da televisão generalista, certamente se apercebeu de que as histórias de vida de pessoas com dificuldades são uma constante. À primeira vez, uma pessoa comove-se e tem uma vontade enorme de ajudar; à segunda, sente alguma solidariedade mas começa a ter noção de que não pode ajudar toda a gente; à terceira é capaz de ignorar e continuar a sua vida como se nada fosse. Tudo isto acontece devido à frequência e ao destaque dado a estas histórias de vida que conseguem ser simples relatos de tragédia que, aparentemente, são grandes atracções de audiências.
Concluindo, podemos afirmar que graças à quantidade de notícias, imagens e relatos trágicos com que somos “bombardeados” diariamente pela comunicação social ganhámos uma capacidade única de insensibilidade perante a dor.
Ana Koch
Nota: este texto é apenas um exercício argumentativo, não tendo por isso o objectivo de criticar/ofender alguém.
