Numa caminhada interminável,
em que sou a única que me acompanho,
caminho devagar, a um passo lento,
tentando descortinar o que farei a seguir.
Não hesito nunca,
apenas me deixo guiar pelos meus pés,
enquanto minha mente segue noutra caminhada,
igualmente interminável.
Assim, mente e corpo se separam,
e cada um escolhe seu caminho.
Ambos sabem que caminham melhor juntos,
mas insistem em ir só.
E, enquanto meus pés me levam por um local,
minha mente viaja para um outro sítio;
está no Vazio.
Interrogando-se uma e outra vez,
fazendo questões para as quais não encontra resposta.
E a caminhada é assim interminável,
pois enquanto a mente não obtiver respostas,
os pés não param,
caminham interminavelmente.
Até que um dia, talvez,
parem.
M.A.
