Influenza é uma infecção respiratória viral responsável por causar febre, coriza, tosse, cefaleia e mal-estar generalizado. É possível a ocorrência de mortalidade durante epidemias, em particular entre pacientes de alto risco e/ou durante pandemias podendo acometer mesmo pacientes jovens e saudáveis. O diagnóstico é normalmente clínico e depende dos padrões de epidemiologia locais. Deve-se administrar a vacina contra influenza anualmente a todos os pacientes com ≥ 6 meses de idade que não tenham contra-indicação. Tratamento antiviral reduz a duração da doença em cerca de 1 dia e deve ser especificamente considerado para pacientes de alto risco.
A que se deve o nome Influenza?
Influenza refere-se à doença causada pelos vírus da influenza, mas o termo é, em geral, incorretamente usado para se referir a doenças semelhantes, provocadas por outros patogénios respiratórios virais. Os vírus da influenza são classificados como tipo A, B e C, por suas nucleoproteínas e proteínas matrizes.
Epidemiologia
Epidemia sazonal
Influenza normalmente tem tendência a ser uma doença esporádica, difundida anualmente durante o outono e o inverno em locais de climas temperados.
São causadas pelos vírus da influenza A e B.
Desde 1968, a maioria das epidemias sazonais de influenza foi causada pelo H3N2 (um vírus da influenza tipo A). Os vírus da influenza B podem causar doenças leves, mas geralmente provocam epidemias.
Pandemias
São muito menos comuns comparativamente com a prevalência de epidemias. Até 2020, houve 6 grandes pandemias, em geral nomeadas de acordo com o local presumido de origem:
- 1889: gripe russa (H2N2)
- 1900: antiga gripe de Hong Kong (H3N8)
- 1918: gripe espanhola (H1N1)
- 1957: gripe asiática (H2N2)
- 1968: gripe de Hong Kong (H3N2)
- 2009: gripe suína (influenza A [H1N1])
Vírus da influenza pode ser disseminado por:
- Gotículas transportadas pelo ar;
- Contato interpessoal;
- Contato com itens contaminados.
Grupos de risco
Alguns pacientes apresentam maior risco de complicações da influenza, nomeadamente:
- Crianças com menos de 5 anos e crianças com menos de 2 anos têm risco particularmente alto;
- Adultos com mais de 65 anos;
- Pacientes com distúrbios patológicos crónicos:
- Doença cardiopulmonar subjacente, diabetes mellitus, insuficiência renal ou hepática, hemoglobinopatias, imunodeficiência, entre outras;
- Mulheres no 2º ou 3º trimestre de gestação;
- Pacientes com doenças que prejudicam a manipulação das secreções respiratórias:
- Disfunção cognitiva, distúrbios neuromusculares, queda, convulsões;
- Pacientes com menos de 18 anos de idade tomando ácido acetilsalicílico – aspirina.
Exacerbação de doença subjacente, síndrome do desconforto respiratório aguda, pneumonia primária por influenza ou pneumonia bacteriana secundária pode implicar uma maior morbidade e mortalidade.
Sintomatologia
O período de incubação da influenza varia de 1 a 4 dias, com uma média de cerca de 48 horas. Em casos leves, muitos sintomas são semelhantes a um resfriado comum.
Influenza típica em adultos é caracterizada pelo início súbito com:
- Calafrios;
- Febre;
- Prostração;
- Tosse;
- Dores generalizadas (especialmente nas costas e nas pernas);
- Cefaleia também pode acontecer, com frequência com fotofobia e dor retrobulbar;
- Sintomas respiratórios podem ser leves no início, com dor de garganta, queimação retroesternal, tosse não produtiva e, algumas vezes, coriza;
- Doença do trato respiratório inferior torna-se dominante; a tosse pode ser persistente, irritativa e produtiva;
- Pode haver sinais e sintomas gastrintestinais e crianças podem ter náuseas e vómitos proeminentes ou dor abdominal, assim como apresentar síndrome semelhante à sepse;
- Depois de 2 a 3 dias, os sintomas agudos cedem rapidamente, embora a febre possa durar até 5 dias. Tosse, fraqueza, sudorese e fadiga podem persistir durante vários dias ou, ocasionalmente, durante semanas.
Diagnóstico
- Avaliação clínica;
- Algumas vezes, teste rápido ou teste molecular para identificação da presença do vírus;
- Oximetria do pulso e radiografia do tórax em pacientes com sintomas respiratórios graves.
O diagnóstico da influenza geralmente é clínico para pacientes com uma síndrome típica quando se sabe que a influenza está presente na comunidade.
Testes por reação em cadeia de polimerase da transcriptase reversa (PCR-TR) são sensíveis e específicos e podem diferenciar os tipos e subtipos da influenza. Se esse teste estiver rapidamente disponível, pode-se usar os resultados para determinar o tratamento antiviral apropriado. A identificação do vírus da influenza específico pode ser importante para controlar a infeção.
A cultura de swabs ou aspirados nasofaríngeos demora vários dias e não é útil para as decisões de conduta para com o paciente.
Pacientes com sinais e sintomas do trato respiratório inferior como dispneia, hipoxia ou estertores no exame pulmonar devem fazer oximetria de pulso para detetar hipoxemia e radiografia de tórax para detetar pneumonia. Pneumonia primária por influenza aparece tipicamente como infiltrado intersticial difuso ou como síndrome da angústia respiratória aguda.
Prognóstico
A maioria dos pacientes recupera-se em 1 ou 2 semanas. A influenza e a pneumonia relacionada com a influenza são causas importantes de morbidade e mortalidade em pacientes de alto risco. O tratamento antiviral imediato desses pacientes parece pode reduzir a incidência de doença respiratória baixa e de hospitalização. Terapia antibacteriana apropriada diminui a taxa de mortalidade de pneumonia bacteriana secundária.
Em geral, a letalidade dos casos é baixa mas como a incidência da doença é alta, o número total de mortes pode ser significativo.
Os US Centers for Disease Control and Prevention estimam que nos EUA > 700.000 hospitalizações e 50.000 mortes resultem da influenza sazonal todos os anos; a incidência é maior nos pacientes com mais de 65 anos de idade.
Tratamento
- Tratamento sintomático;
- Algumas vezes, antivirais.
O tratamento da maioria dos pacientes com influenza é sintomático:
- Repouso, hidratação e antitérmicos como necessário, mas evita-se o ácido acetilsalicílico para os pacientes com ≤ 18 anos de idade. Infecções bacterianas complicadas requerem antibióticos apropriados.
Fármacos para influenza
Fármacos antivirais diminuem ligeiramente a duração da febre, a gravidade dos sintomas e o tempo para retornar às atividades normais quando administradas dentro de 1 a 2 dias após o início dos sintomas. Geralmente, recomenda-se o tratamento com antivirais para os pacientes de alto risco com sintomas gripais.
Os fármacos para influenza compreendem:
- Oseltamivir, zanamivir e peramivir (inibidores de neuraminidase)
- Baloxavir (novo inibidor da endonuclease)

