Hoje o tema do espaço saúde refere-se a uma anomalia orgânica simultaneamente complexante e limitadora no dia-a-dia da pessoa portadora da mesma. Trata-se basicamente da perda completa do olfato. No entanto, também podemos ter casos de perda parcial do olfato e, assim designamos de hiposmia. De forma geral, o que se verifica nesta patologia é que os seus portadores mantêm a perceção do salgado, doce, azedo e amargo, porém não são capazes de discriminar a sabores mais detalhados, já que estes são muitos influenciados pelo olfato. Desta forma, os pacientes acabam por denotar simultaneamente uma perda de olfato arrastada a uma perda de paladar e não são capazes de apreciar o que comem. De referir que, na presença de anosmia unilateral, o portador não se apercebe da sua presença.

Figura 1 – Representação esquemática da forma como decorre o processo olfativo normal desde as moléculas de odor a entrarem pelas vias nasais até chegarem aos neurónios recetores olfatórios. Nos casos de anosmia este processo não ocorre ou ocorre de forma deficitária.
Sobre a anosmia…
A asnomia ocorre quando há presença de edema intranasal ou outro tipo de obstruções que impedem a inalação e perceção de odores, dado que não há forma de alcançarem a área olfatória presente ao nível nasal. Também se pode verificar em casos em que o neuroepitélio ofatório é danificado ou quando o nervo, trato ou bulbos olfatórios nasais são destruídos.
As principais causas da doença incluem traumatismo cranianos no casos dos adultos e infeções virais e/ou doença de Alzheimer em adultos com idades mais avançadas.
Situações como infeção por influenza bastante sugestiva, fármacos, radioterapia, cirurgia nasal, tumores nasais e/ou cerebrais e determinadas toxinas como aquelas que se encontram associadas ao tabaco também podem desencadear anosmia.

Figura 2 – Representação esquemática de pólipos nasais que podem desencadear a doença de anosmia.
Diagnóstico da anosmia
História clínica do paciente
Para a realização do diagnóstico de anosmia é necessário conhecer a história clínica do paciente, nomeadamente avaliar os seus sintomas e perceber a presença ou ausência de infeção por influenza ou presença ou ausência de ferimentos recentes na cabeça.
Revisão dos sistemas orgânicos
Acopladamente é necessário fazer um revisão aos sistemas orgânicos para tentar perceber a presença ou ausência de anomalias neurológicas ou alterações do estado mental. Consequentemente, é importante perceber se há histórico de sinusite, traumatismos cranianos ou cirurgias, presença de alergias ou medicamentos que aumentem a suscetibilidade para a perda de olfato.
Exame físico
O exame físico consiste na verificação de presença de edema, inflamação, coriza e pólipos nasais. Normalmente é realizado um teste ao paciente de oclusão de cada uma das narinas individualmente para se analisar a presença ou ausência de obstrução.
Sinais mais relevantes
O mais importante a ter em conta durante a avaliação do paciente é se a sintomatologia referida remete a traumatismos cranianos, sintomatologia neurológica ou início da sintomatologia súbita.
Fator da idade
Em casos de anosmia que surge lentamente progressiva em pacientes idosos, sem outros sintomas ou achados clínicos aparentes, esta normalmente está associada ao fator normal do envelhecimento e é considerada causa normal fisiológica.
Exame clínico realizado para a deteção de anosmia
O teste rápido utilizado para avaliar a disfunção olfatória passa pela incitação das narinas individualmente através de alimentos que apresentem odores fortes, tais como café, tabaco, canela, mentol. O teste é iniciado numa narina de cada vez ocluindo-se a narina oposta e avalia-se se a doença é unilateral ou bilateral consoante a resposta das narinas aos odores. No caso de apenas uma narina responder ao olfato de forma correta considera-se anosmia unilateral e, normalmente, não traz dificuldades de identificação odores em geral no dia-a-dia. No entanto, se ambas as narinas estiverem afetadas, no sentido de não serem capazes de identificar os odores, trata-se de um anosmia bilateral.
Tratamento da anosmia
Aquando da confirmação do diagnóstico de anosmia, o paciente nem sempre recupera o olfato, mesmo com tratamento. Não existem tratamentos assertivos e conclusivos para anosmia.
Curiosidades sobre a anosmia…
De referir que há perda olfativa normal com o avançar da idade, como já foi referido anteriormente, devido ao facto de haver perda significativa de neurónios recetores olfatórios. Esta perda traz inevitavelmente diminuição marcada do sentido olfatório. Normalmente, esta diminuição ou ausência de olfato começa a ser sentida aos 60 anos de idade e torna-se mais acentuada a partir dos 70 anos de idade. No entanto, estes valores são relativos e dependem de cada casos e de cada pessoa.
Fontes: Manual MSD – Versão para Profissionais de Saúde – Anosmia; CUF -Anosmia; Artigo: Anormalidades sensoriais: olfato e paladar – Palheta Neto et al., consultados dia 15 de janeiro de 2019.

