Na passada Segunda-feira, dia 14 de Novembro de 2016, andava toda a gente entusiasmada com a observação da Super-Lua, aquela que seria a maior lua dos últimos 68 anos, acontecimento tão badalado por toda a comunicação social. Segundo eles, não podíamos perder este fenómeno pois só voltará a ocorrer dentro de 18 anos. Ou será que não?

A órbita da Lua em torno da Terra não é circular, mas sim ligeiramente elíptica como representado no diagrama acima. Diagrama de Brian Koberlein
O facto da órbita da Lua em volta da Terra ter uma forma elíptica faz com que a distância da Terra à Lua varie ao longo do ano. O ponto em que esta se encontra mais próxima da Terra é denominado de Perigeu, enquanto o ponto em que esta se encontra mais afastada é o Apogeu.
O período entre duas luas cheias, também conhecido por mês sinódico, tem uma duração média aproximada de 29 dias, enquanto que o período entre duas passagens pelo perigeu, mês anomalístico, é de 27 dias. Devido a esta diferença, o diâmetro aparente da Lua Cheia varia consoante esta ocorra mais perto da Terra (perto do perigeu), parecendo maior, ou mais longe (perto do apogeu), parecendo mais pequena, padrão que se repete a cada 412 dias. Assim sendo, cada 14ª lua cheia após o perigeu é uma Super-Lua.
Na verdade, o conceito de Super-Lua, cujo termo científico é sizígia no perigeu do sistema Terra-Lua-Sol (sizígia: palavra de origem grega que significa conjunção, união), não passa de uma convenção baseada em critérios puramente arbitrários, criada em 1979 pelo astrólogo americano Richard Nolle. Ele pegou no conceito de Lua Cheia e de Perigeu Lunar e determinou que uma Lua Cheia é considerada “Super” sempre que esta ocorra a uma distância de pelo menos 90% a distância do perigeu.
No entanto a distância do perigeu varia consoante a órbita da Lua, podendo variar entre 356 355 km e 370 399 km. Pelo menos são esses os valores mínimo e máximo calculados pelo astrónomo Fred Espanak para os próximos 5000 anos. Espanak considerou então a distância de 367 607 km como o mínimo para se considerar uma Super-Lua, uma vez mais um critério puramente arbitrário.
Tendo em conta esses valores arbitrários esta foi a maior Super-Lua em 68 anos, mas será que é assim tão maior e mais brilhante que outra Super-Lua?
Segundo a comunicação social, esta foi 14% maior e 30% mais brilhante, uma diferença significativa. No entanto estes valores são em comparação à Lua Cheia no Apogeu, quando a Lua está mais afastada da Terra. Se compararmos com uma Lua Cheia normal (algures entre o Apogeu e o Perigeu) esta é apenas 8% maior e 15% mais brilhante, valores já não tão impressionantes.
Seremos capazes de detetar a olho nu estas diferenças?
A resolução angular dos nossos olhos é de 1 minuto de arco, ou seja somos capazes de distinguir uma moeda de 2 euros (25,75 mm de diâmetro) a uma distância de 86 metros. Qualquer alteração de tamanho menor que 1 minuto de arco é impercetível aos nossos olhos. Em comparação o diâmetro angular da Lua cheia da passada Segunda-feira foi de 33,52 minutos de arco. A próxima Lua Cheia no Perigeu, que ocorrerá já dia 13 de Dezembro de 2016 terá um diâmetro angular de 33,24 minutos de arco, ou seja, com menos de 1 minuto de arco de diferença.
Mas então e todas aquelas fotos incríveis com a Lua enorme no horizonte?

Fotomontagem que nos faz percepcionar que a Lua no horizonte parece maior quando não o é na verdade. Se medirem ambas as Luas verão que têm o mesmo tamanho.
Quem já viu a Lua Cheia no horizonte tem a impressão de que esta é maior, fenómeno denominado de Ilusão Lunar. O nosso cérebro tem tendência a julgar objetos distantes como sendo maiores quando estes são avistados no horizonte, tendo outros objetos em primeiro plano.
Anotem então na vossa agenda o dia 13 de Dezembro de 2016 e apreciem a beleza da Lua Cheia nesse dia como se da passada Super-Lua se tratasse.
Fontes:


