O Espaço Saúde de hoje foca-se nas perturbações de pânico, cuja característica principal é a ocorrência de ataques de pânico – ataques de ansiedade em que há uma predominância de sintomas físicos, acompanhados por medo de uma consequência médica grave (o que leva a que os doentes digam muitas vezes que têm a sensação que vão morrer).
A prevalência das perturbações de pânico é de cerca de 4,7%. Quando associada a agorafobia, contabiliza cerca de 50% dos casos. É duas vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens. Os doentes com perturbações de pânico têm maior risco para o desenvolvimento de outras perturbações da ansiedade, depressão major e alcoolismo.
Sintomas/Diagnóstico
Os sintomas ansiosos associados ao ataque da pânico são palpitações, sensação de engasgamento, dor torácica, tonturas e sensação de desmaio, despersonalização, desrealização e medo de morrer, perder o controlo ou “ficar louco”.
Durante um ataque de pânico estes sintomas ansiosos aumentam na sua intensidade muito rapidamente, são severos e a pessoa teme uma consequência catastrófica. É frequente a hiperventilação, o que agrava os sintomas físicos e ainda aterroriza mais o doente.
Uma característica essencial para diagnosticar uma perturbação de pânico pura (não associada a uma fobia como a agorafobia) é a ocorrência dos ataques de pânico sem qualquer estímulo desencadeante.
De notar a extrema importância de se descartar patologia orgânica, especialmente do foro cardíaco, antes de se diagnosticar formalmente uma perturbação de pânico.
Tratamento
O tratamento das perturbações de pânico passa pela psicoterapia aliada a fármacos como as benzodiazepinas, os antidepressimos como a imipramina e os SSRI.
Fonte: Harrison, P.;Cowen, P.; Burns, T.; Shorter Oxford Textbook of Psychiatry. (7th edition), Oxford University Press, 2018. ISBN: 9780198747437

