Até à data foram apenas relatados 25 casos de hipertimesia, uma condição em que o indivíduo apresenta uma elevada memória biográfica, sendo capaz de recordar com exactidão e detalhe qualquer dia da sua vida.
Duas principais características da hipertimesia são passar uma quantidade excessiva de tempo pensando sobre o passado, e exibindo uma extraordinária capacidade de recordar eventos específicos de seu passado.
O primeiro paciente diagnosticado com hipertimesia foi uma americana denominada AJ (posteriormente identificada como Jill Price) em 2006. [1] AJ é capaz de recordar todos os dias da sua vida desde os 14 anos.
Contrariamente a pessoas com uma memória excepcional que recorrem a mnemónicas ou outras estratégias para memorizar uma dada informação, aqueles com hipertimesia são capazes de recordar sem qualquer esforço. Contudo as suas memórias tendem a ser pessoais, autobiográficas, de eventos mundanos do seu dia-a-dia, tendo dificuldade em memorizar informação arbitrária, como por exemplo a matéria lecionada nas aulas.
Um dos principais problemas de alguém com hipertimesia é a incapacidade de viver o presente uma vez que está sempre a pensar no passado, o que dificulta relações interpessoais.
Devido ao baixo número de indivíduos com esta condição, pouco é sabido relativamente à sua causa.
Fontes:
[1] Parker ES, Cahill L, McGaugh JL. (2006). A case of unusual autobiographical remembering. Neurocase. 12(1), 35-49.
Leport, A. K., Mattfeld, A. T., et al (2012). Behavioral and neuroanatomical investigation of Highly Superior Autobiographical Memory (HSAM). Neurobiology of Learning and Memory, 98(1), 78-92.
Price, J. (2009). The woman who can’t forget: The extraordinary story of living with the most remarkable memory known to science. London: Simon & Schuster.

