
Utilização de agentes quelantes para a eliminação dos radionuclídeos do organismo. Fonte: BioActinide Chemistry
Após o lançamento das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki mais de 100.000 pessoas morreram, muitas delas devido à exposição a radiação. Em doses elevadas esta leva à quebra das cadeias de DNA causando alterações a nível do ciclo de divisão celular e levando ao aparecimento de mutações que com o passar do tempo podem levar ao desenvolvimento de cancro. A curto prazo os sintomas são náuseas, diarreia, febre, tonturas, cansaço e queda de cabelo.
Acidentes em centrais nucleares tais como os que aconteceram na década de 80 em Chernobyl e em Fukushima no ano de 2011 levaram à libertação de elevados níveis de radiação para os quais as opções de tratamento eram limitadas. Tudo o que é possível fazer é deixar o paciente confortável tratando as suas queimaduras e náuseas e tentar evitar que a radiação se espalhe pelo organismo. No entanto uma dose aguda é normalmente fatal, uma vez que após a radiação entrar no organismo é extremamente difícil eliminá-la pois os radionuclídeos depositam-se nos ossos podendo ocorrer libertação de radiação durante décadas.
Contudo isso pode deixar de ser um problema. A química Rebecca Abergel e a sua equipa de investigação criaram pequenas moléculas que se ligam aos actinídeos – elementos radioactivos libertados por armas e centrais nucleares, tais como, o plutónio e urânio – complexando-os tornando assim mais fácil a sua eliminação. A estas moléculas dá-se a designação genérica de quelantes uma vez que possuem a capacidade de formarem várias ligações a um único ião metálico. Os quelantes têm sido desde há muito associados com o tratamento de envenenamento por metais pesados como o ferro, arsénico, e chumbo. Abergel e a sua equipa conseguiram criar então quelantes que se ligam aos actinídeos sem interferir com outros metais importantes presentes no organismo, como o ferro e o zinco.
O desenvolvimento das moléculas foi feita com base em quelantes de ferro presentes em bactérias. Uma das moléculas testadas foi capaz de remover 80% de plutónio presente no organismo de um rato em dois dias após a toma de uma única dose.
Neste momento essa molécula encontra-se em ensaios clínicos em humanos. Um dos possíveis usos poderá passar pela sua utilização no tratamento do cancro através de uma libertação controlada e localizada dos radionuclídeos complexados, nas células cancerígenas.
Fontes: ideas.ted.com, Tedx Aix, BioActinide Chemistry

