Comummente se reconhece o papel benéfico dos antioxidantes e a sua capacidade de ajudar a prevenir o envelhecimento das nossas células. Porém, um novo estudo, de um grupo de investigadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center em Nova Iorque (Estados Unidos da América), indica que os antioxidantes podem ter um lado reverso da moeda ao permitirem uma maior capacidade de metastização às células cancerígenas, nomeadamente no caso do melanoma.
Os antioxidantes tem a capacidade de diminuir os níveis de espécies reactivas de oxigénio (ROS) no interior das células e isso minimiza os seus danos sobre as moléculas de ADN. Vários estudos indicam que terapia com suplementos de antioxidantes fazem com que a incidência de cancro diminua. Todavia, um grupo de investigadores publicou na Science que os antioxidantes são capazes de duplicar o número de células que metastizam para os nódulos linfáticos a partir de um modelo murganho de melanoma.
Os dados indicam que os antioxidantes podem ser benéficos para as células sãs, mas que também podem ajudar as células tumorais no seu percurso de se manterem “imortais”.
Martin Bergo, um dos responsáveis pelo estudo, afirma que a metastização é um dos aspectos mais complicados do cancro e que é necessário prestar atenção a esta capacidade que os antioxidantes podem ter para a promover.
Estes resultados lançam o alerta dentro da comunidade científica, e não só, e abre o debate acerca do uso ou não dos antioxidantes como terapia ou como forma preventiva.
Já em 2014, um outro grupo de investigadores suecos mostrou que os antioxidantes eram capazes de acelerar o crescimento de um tumor primário de pulmão. Note-se que em ambos os estudos foi usado NAC (N-acetilcisteína) como antioxidante, um análogo solúvel da vitamina E.
Os resultados indicam que o antioxidante administrado tem a capacidade de aumentar a fração de glutationa reduzida capaz de neutralizar os ROS que se formam. Este mecanismo inicia um aumento da expressão de RhoA, enzima envolvida na ativação de uma série de cascatas intracelulares que culminam numa maior capacidade de migração e metastização.
Os autores dos estudos aconselham ainda que a administração de suplementos, com vitamina E, deve ser repensada em doentes que já tiveram ou têm cancro.
Como as células cancerígenas multiplicam-se muito rapidamente sofrem de um maior stress oxidativo. A presença de antioxidantes pode ajudar estas células malignas a manterem-se vivas, a proliferarem e a invadirem tecidos adjacentes.
Fonte: The Scientist | Science
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