Recentemente, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América (CDC) analisou vários frascos marcados como “varíola” num laboratório na Pensilvânia. Os frascos foram cuidadosamente manuseados e analisados e nenhum continha, de facto, varíola.
Antes de se saber se de facto os frascos continha ou não varíola, o FBI encerrou as instalações para investigação. Apesar de parecer exagerado, dada a história deste vírus mortal, todo o cuidado é pouco.
A infeção por varíola era extremamente mortal, com cerca de 30% das pessoas infetadas a sucumbir à doença. Depois de uma programa de vacinação mundial bem sucedido, a OMS declarou o virus erradicado em 1979.
A última pessoa a morrer de varíola foi um ano antes, em 1978. Até então, 300 milhões de pessoas faleceram por causa da infeção por este vírus.

A última pessoa a morrer de varíola
Janet Parker, fotógrafa médica, trabalhava na Birmingham Medical School, em Inglaterra, quando usou um telefone. Pouco tempo depois, começou a sentir-se mal. Inicialmente, ela foi diagnosticada com gripe e, quando manchas apareceram na pele, ela foi diagnosticada com varicela. Quase um mês depois de ter sido infectada, a 20 de agosto, ela foi levada ao hospital com suspeita de varíola.
No piso de baixo, de onde Parker havia usado o telefone, estava um laboratório contendo amostras do vírus sob o controle do professor Henry Bedson. Bedson era um investigador de varíola, que estava então focado em saber se variantes da doença seriam um problema após a erradicação. Os inspetores da OMS visitaram o laboratório em maio daquele ano e ficaram insatisfeitos com o que viram. No entanto, autorizaram a continuação do seu trabalho, desde que certos melhoramentos fossem feitos. Além disso, o laboratório iria mesmo ser encerrado no prazo de 6 meses.
Esta situação veio a revelar-se lamentável para Parker, que ao usar o telefone do laboratório do piso de cima, acabou sendo infetada por uma estirpe particularmente virulenta. O vírus terá seguido por uma conduta de ar até ao local onde Parker usou o telefone.
Pouco tempo depois de Parker ter sido admitida no hospital, morreu.
O professor Henry Bedson suicidou-se antes que a morte de Parker tivesse sido confirmada, horrorizado por ter libertado o vírus que tinha lutado para erradicar.
“Lamento ter perdido a confiança que muitos dos meus amigos e colegas depositaram em mim e no meu trabalho”, escreveu o professor em uma nota, acreditando que o vírus escapou de seu laboratório, o que relatórios do governo confirmariam mais tarde.
Apenas uma outra pessoa, a mãe de Parker, foi infectada, levemente, e por isso rapidamente recuperou. Um ano após o incidente, a varíola foi declarada totalmente erradicada pela OMS.
Finalmente erradicada, foi tomada a decisão de destruir todos os stocks restantes de varíola ou movê-los para dois laboratórios seguros, um nos EUA e outro na Rússia, onde as últimas amostras da doença permanecem até hoje.
Porém, em 2014, foram encontradas amostras seladas num laboratório sul-africano, dentro de uma frágil caixa de cartão.
Fonte: IFLScience

