A babesiose é uma infeção provocada pela Babesia. As infeções provocadas por este protozoário podem ser assintomáticas ou provocar uma sintomatologia semelhante à malária, com síndrome febril e anemia hemolítica. A doença manifesta-se mais grave em pacientes asplénicos, idosos e pessoas imunocomprometidas. Para diagnosticas esta doença é necessário realizar uma colheita de sangue e pesquisar a presença do microrganismo – Babesia. Na presença da patologia é necessário trata e, para o efeito, utiliza-se azitromicina associada à atovaquona ou quinina mais clindamicina.
O principal microrganismo responsável por esta doença é a Babesia microti, sendo que os principais portadores são os roedores e os carrapatos dos cervos. A Babesia entra nos glóbulos vermelhos, amadurecem e dividem-se de forma assexuada. Posteriormente os glóbulos vermelhos infetados rompem e libertam o microrganismo que o invadiu, podendo a Babesia ser transmitida durante uma transfusão de sangue, transplante de órgão ou de forma congénita. Os carrapatos Ixodes infetados pela Babesia estão algumas vezes coinfetados pela Borrelia burgdorferi ou pela Borrelia miyamotoi e, assim, os pacientes podem adquirir mais que uma infeção por picada do carrapato.
Sintomatologia
A infeção assintomática provocada por este microrganismo pode manter-se durante meses a anos.
Quando sintomática, surge após uma a duas semanas do período de incubação com mal-estar, fadiga, calafrios, febre, cefaleia, mialgia e artralgia podendo persistir durante várias semanas. Clinicamente, também pode surgir hepatoesplenomegalia com icterícia, anemia hemolítica leve a moderamente grave, neutropenia leve e trombocitopenia.
Em alguns casos, embora mais raros, a babesiose pode ser fatal, nomeadamente em idosos, pacientes asplénicos e pacientes imunocomprometidos. É nestes casos que a babesiose pode se assemelhar à malária.
Diagnóstico
O diagnóstico consiste em realizar uma microscopia ótica de amostras de sangue e serologias e testes baseados em reação em cadeia de polimerase (PCR).
Normalmente o diagnóstico de babesiose é feito ao encontrar a Babesia nas amostras de sangue, mas sua diferenciação das espécies de Plasmodium pode ser difícil, ou seja, da malária.
A deteção de anticorpos por meio do teste de anticorpo fluorescente indireto, utilizando antigénios B. microti, pode ser útil para os pacientes com baixo nível de parasitemia, mas pode ser falsamente negativa naqueles infetados com outro tipo de Babesia spp. Testes baseados na reação em cadeia da polimerase (PCR) podem ajudar a diferenciar Babesia de Plasmodium falciparum.
Tratamento
- Atovaquona e azitromicina;
- Quinina com clindamicina.
Pacientes assintomáticos geralmente não requerem qualquer tratamento, mas a terapia é indicada para casos com febre alta persistente, parasitemia rapidamente crescente e diminuição de hematócrito. A plasmaférese tem sido usada em pacientes hipotensos com parasitemia alta.
Prevenção
A prevenção decorre de:
- Permanecer em estradas e trilhas;
- Colocar as barras das calças por dentro de botas ou meias;
- Usar camisas de manga comprida;
- Aplicar repelentes com dietiltoluamida (DEET) na superfície da pele.

