Hoje o tema do corpo humano irá abordar um órgão que integra o nosso sistema digestivo, sendo o principal órgão responsável pela produção de bílis, armazenamento, biotransformação de nutrientes, desintoxicação, fagocitose e síntese.
O Fígado desempenha funções digestivas e excretoras importantes, armazena e metaboliza nutrientes, sintetiza novas moléculas e purifica químicos nocivos.

Funções do Fígado
- Produção de bílis:
- O fígado produz e segrega cerca de 600 a 1000 mL de bílis por dia.
- A bílis não contém enzimas digestivas mas desempenha um papel importante na digestão, diluindo e neutralizando o ácido gástrico e emulsionando as gorduras.
- O pH do quimo ao deixar o estômago é extremamente baixo para permitir que as enzimas pancreáticas atuem e, por isso, a bílis neutraliza a acidez aumentando o pH para níveis adequados.
- A bílis contém ainda produtos de excreção, os pigmentos biliares.
- É a secretina quem estimula a secreção de bílis através do aumento de quantidade em água e iões bicarbonato. Os sais biliares também aumentam a secreção biliar através de um sistema de feedback positivo. A maior parte destes sais são reabsorvidos no íleo e retornam ao fígado onde estimulam mais produção de bílis.
- Armazenamento:
- Os hepatócitos (células que constituem o fígado) podem retirar o açúcar presente no sangue e armazená-lo sob a forma de glicogénio. Para além disso, armazenam também gorduras, vitaminas, cobre e ferro.
- Os hepatócitos ajudam ainda a manter os níveis de glicémia dentro dos limites normais por regulação osmótica.
- Biotransformação de nutrientes:
- Os nutrientes ingeridos não são proporcionais às necessidades dos tecidos e o fígado tem a capacidade de converter alguns nutrientes noutros.
- A gordura ingerida também é combinada no fígado em colina e fósforo para produzir fosfolípidos, componentes essenciais das membranas plasmáticas.
- A vitamina D também é hidroxilada no fígado, sendo nesta forma que circula maioritariamente no organismo, sendo conduzida ao rim.
- Desintoxificação:
- Existem muitas substâncias que ingerimos nocivas para o organismo, assim como produzimos muitos metabolitos também eles tóxicos quando acumulados. Assim, o fígado altera a estrutura destas substâncias tornando-as menos tóxicas ou mais fácies de eliminar.
- Fagocitose:
- As células fagocitárias hepáticas localizam-se na parede dos sinusóides hepáticos e fagocitam os glóbulos vermelhos e brancos velhos, sem utilidade, algumas bactérias e detritos que entram no fígado por via circulatória.
- Síntese:
- O fígado tem a capacidade de produzir novos componentes.
Anatomia do Fígado
- O fígado é o maior órgão interno do corpo, pesando cerca de 1,36 Kg.
- Localiza-se no quadrnate superior direito do abdómen, apoiado contra a face inferior do diafragma.
- É constituído por dois lobos principais, o esquerdo e o direito, e por dois lobos menores, o caudado e o quadrado.


Figura 1 – Anatomia do fígado.
Histologia do Fígado
O fígado está revestido por uma cápsula de tecido conjuntivo e por peritoneu visceral, exceto numa pequena área rodeada pelo ligamento cornário, na face diafragmática, na qual não existe peritoneu, a área descoberta.
No hilo, a cápsula de tecido conjuntivo ramifica-se, enviando uma rede de septos para a parênquima hepático que vão constituir o seu principal suporte.
Os vasos, nervos e canaus distribuem-se pelo fígado seguindo as ramificações do tecido conjuntivo.
Os setos de tecido conjuntivo dividem o fígado em lóbulos hexagonais tendo em cada vértice um sitema porta constituído por três vasos: veia porta hepática, artéria hepática e o ducto hepático. No centro de cada lóbulo existe uma veia central. Da veia central de cada lóbulo derivam os cordões hepáticos, dispostos como os raios de uma roda, compostos por hepatócitos. Os espaços entre os cordões hepáticos são canais sanguíneos, os sinudóides hepáticos.
Principais problemas de saúde que ocorrem no Fígado
- Hepatite:
- Inflamação do fígado que não resulta, necessariamente, de um processo infecioso ou por álcool.
- Cirrose:
- Implica a morte de hepatócitos e a sua substituição por tecido conjuntivo fibroso.
- Lesão hepática:
- Na maior parte das vezes os hepatócitos maduros podem proliferar e substituir as porções hepáticas lesadas, contudo, se a lesão for demasiado extensa, os hepatócitos podem não ter capacidade de regeneração suficiente.

Figura 2: Cirrose hepática.
Fontes: Seeley, R., Stephens, T., & Tate, P. (2003). Anatomia & Fisiologia, 6ª Edição. Editora Lusociência. ISBN: 972-8930-07-0.
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