Hoje o tema do espaço saúde remete-nos para uma patologia que continua a afetar cada vez mais a nossa população idosa e, como não podemos descorar esta nossa população, vamos descobrir mais sobre esta patologia…
Sobre a doença de Alzheimer…
A doença de Alzheimer é caracterizada por causar degeneração cognitiva progressiva e pelo desenvolvimento de depósitos de amiloide e de neurofibrina ao nível do córtex cerebral e na substância cinzenta subcortical, ou seja, é uma doença que tem todo um envolvimento ao nível cerebral.

Figura 1 – Diferença entre um cérebro normal (imagem à esquerda) e um cérebro com doença de Alzheimer (imagem à direita).
Esta é a doença considerada a causa mais comum de demência, estando associada a 60-80% das demências que ocorrem em idosos. Quanto à incidência desta doença, verifica-se que as mulheres são o grupo duas vezes mais afetado comparativamente com os homens. Este facto pode estar intimamente relacionado com a maior esperança de vida associado ao género feminino.
Fisiopatologia da doença de Alzheimer
Sobre esta doença, podem-se apontar duas principais características patológicas, desde:
- Depósitos extracelulares de amilóide, designadas habitualmente de placas senis;
- Emaranhados neurofibrilares intracelulares.
Estes dois fatores desencadeiam, inevitavelmente, a perda de sinapses e neurónios desencadeando atrofia total das áreas afetadas do cérebro.
Existem duas possíveis teorias que explicam como decorre a deposição da amilóide e dos emaranhados neurofibrilares intracelulares, tais como:
- A hipótese amiloide que vincula a acumulação progressiva de amilóide ao nível cerebral causando uma sequência de acontecimentos que promovem a morte dos neurónios, consequentemente, a interrupção das sinapses neuronais e a diminuição dos neurotransmissores e, desta forma, há o desenvolvimento de todos os sintomas clínicos associados a esta demência conhecida como Alzheimer.
- Mecanismo priónicos que se encontram associados a príons. Príons são proteínas que se encontram na superfície das dos neurónios normais que podem começar a envelopar e a transformarem-se em formas proteícas patogénicas. Este príon anómalo determina a outras proteínas príons normais a assemelharem-se a ela e, portanto, tornarem-se também anómalas. O aumento gradual de proteínas anómalas no cérebro é que desencadeia o dano cerebral associado à doença de Alzheimer.
Sintomatologia do doente com Alzheimer
Os pacientes portadores da doença de Alzheimer revelam sintomatologia de demência, como já foi referido. A primeira manifestação da doença refere-se, essencialmente, à perda de memória a curto prazo, tal como fazer perguntas repetitivas, perder objetos frequentemente, esquecer planos agendados, entre outros.
Para além disso, existem ainda outros déficits cognitivos associados a esta patologia e que envolvem múltiplas funções. tais como:
- A presença do raciocínio alterado, dificuldade em lidas com tarefas complexas e julgamento ruim devido ao facto de não ser capaz de gerenciar e tomar determinadas decisões;
- A linguagem fica disfuncional, apresentando dificuldade em pensar, escrever ou dizer palavras comuns;
- Desencadeamento de disfunção visual-espacial.
Associada a esta patologia, também se tem a presença de distúrbios de comportamento, que incluem, agitação, gritos, ideação persecutória, entre outros.

Figura 2 – Diferentes estadios representados na estrutura cerebral da doença de Alzheimer.
Diagnóstico da doença de Alzheimer
O diagnóstico da doença de Alzheimer é realizado com base na similaridade a outras demências, por exame formal do estado mental, pela história e exame físico, por exames laboratoriais e por neuroimagem para avaliação das estruturas cerebrais.
O diagnóstico desta patologia assemelha-se muito ao diagnóstico de outras demências, no entanto, têm de existir determinados parâmetros clínicos que diferencie esta das restantes demências listadas clinicamente. Assim, os principais critérios diagnósticos confirmatórios da doença de Alzheimer são:
- Demência estabelecida por exame físico e documentada por exame frontal do estado mental;
- Déficits em 2 ou mais áreas cognitivas;
- Tem um início gradual piorando progressivamente a memória e função cognitiva;
- Ausência de perturbações de consciência;
- Inicia-se por volta dos 40 anos, mas tem maior incidência após os 65 anos de idade;
- Ausência de distúrbios sistémicos ou cerebrais que podem desencadear perda de memória e cognição;
- Baixo nível de amilóide no líquido cefalorraquidiano;
- Depósitos de amilóide no cérebro que são facilmente detetados por imagiologia;
- Níveis elevados de proteína tau no líquido cefalorraquidiano;
- Diminuição do metabolismo cerebral no córtex temporoparietal;
- Atrofia local nos lobos temporais mediais, basais e laterais do córtex parietal medial.
| Item | Doença de Alzheimer |
| Patologia | Placas senis, emaranhados de fibrina, depósitos de amilóide ao nível cerebral |
| Epidemiologia | Afeta 2x mais mulheres que homens |
| Hereditariedade | Familiar com a doença em 5 a 15% dos casos |
| Memória a curto prazo | Perdida precocemente ao longo da evolução da doença |
| Sintomas parkinsonianos | Raros. Se presentes, surgem tardiamente no percurso da doença |
| Disfunção autonómica | Raro |
| Alucinações | Presentes em 20% dos pacientes |
| Efeitos adversos na presença de antipsicóticos | Comum e podem piorar os sintomas |
Esta tabela representa as principais características da doença de Alzheimer a que toda a população deve dar especial atenção para que haja um diagnóstico atempado e uma preparação prévia para a doença.
Tratamento da doença de Alzheimer
O tratamento da doença de Alzheimer é semelhante ao tratamento de outras demências à base de inibidores de colinesterase e memantina.
Para facilitar a vida do paciente com Alzheimer e amenizar a sua sintomatologia, deve haver um ambiente claro, alegre e familiar e deve ser projetado para reforçar a orientação do paciente. Também deve ser tomadas medidas especiais para reforçar a segurança do paciente.
Prognóstico da doença de Alzheimer
Relativamente ao prognóstico da doença este é variável e o declínios cognitivo dos pacientes é inevitável. A média de sobrevida a partir do diagnóstico é de cerca de 7 anos, embora seja relativo consoante o paciente e o tempo de sobrevida depois de o paciente deixar de andar é de cerca de 6 meses.
Prevenção da doença de Alzheimer
A prevenção da doença de Alzheimer passa por manter atividades mentais desafiantes nomeadamente com o avançar da idade, praticar exercícios físicos, controlar a hipertensão, reduzir as concentrações de colesterol, consumir uma dieta rica em ácidos gordos ómega 3 e pobre em gorduras saturadas e ingerir álcool em quantidade moderadas.
Fontes: Manual MSD – Doença de Alzheirmer, consultado no dia 30 de dezembro de 2018, Luzardo Ar – CARACTERÍSTICAS DE IDOSOS COM DOENÇA DE ALZHEIMER E SEUS CUIDADORES: UMA SÉRIE DE CASOS EM UM SERVIÇO DE NEUROGERIATRIA, consultado no dia 30 de dezembro de 2018, Arq Neuropsiquiatria – DIAGNÓSTICO DE DOENÇA DE ALZHEIMER NO BRASIL AVALIAÇÃO COGNITIVA E FUNCIONAL, consultado dia 30 de dezembro de 2018, Revista Psiquiatria – A doença de Alzheimer: aspectos fisiopatológicos e farmacológicos, consultado dia 30 de dezembro de 2018

