O queratocone é considerada uma ectasia não inflamatória progressiva da córnea e que é relativamente comum na prática clínica diária. É responsável por desencadear algumas alterações na capacidade visual. Saiba mais no nosso post de hoje!
Sobre queratocone…
O queratocone é uma doença que causa deformação da córnea, não inflamatória, com potencial para comprometer significativamente a acuidade visual, embora possa apresentar um espectro de gravidade bastante diverso em cada caso, a forma como a patologia se manifesta é variável de paciente para paciente.

Figura 1 – Diferença anatómica entre um olho normal e um olho com presença de queratocone.
É relativamente comum e surge normalmente entre os 15 e os 20 anos de idade, no etnato manifesta-se quase sempre de uma forma insidiosa e clinicamente subtil, mas que a longo prazo tende a ser progressiva. Envolve igualmente ambos os sexos e todos os grupos étnicos.
Em termos clínicos existe quase sempre uma afetação bilateral, mas por vezes bastante assimétrica entre ambos os olhos.
Etiologia do queratocone
A etiologia desta patologia ainda não se encontra bem esclarecida, mas existe uma forte tendência genética, em que vários dos casos estudados apresentam história familiar, estando também descritos alguns fatores bioquímicos e físicos associados.
Fisiopatologia do queratocone
A fisiopatologia associada a esta patologia prende-se com o aumento da atividade das enzimas proteolíticas, e diminuída dos seus inibidores, que desencadeia uma digestão acelerada do tecido conjuntivo da córnea e ocorre diminuição da estabilidade biomecânica da córnea.
A dificuldade visual associada a esta patologia acontece devido a uma deformação localizada na principal lente do sistema ótico do olho, a córnea, que gera um desacerto na frente de onda de luz que progride para dentro do olho em direção à retina; devido a esta irregularidade, o erro de focagem desenvolvido não consiste numa simples refração de miopia ou astigmatismo regular, mas sim em aberrações óticas de alta ordem, que, a não ser em casos leves ou incipientes, não são possíveis compensar com óculos ou lentes de contacto.

Figura 2 – Diferenças na estrutura ocular de um olho normal e um olho com queratocone.
Diagnóstico do queratocone
O diagnóstico do queratocone pode inicialmente decorrer de queixas de dificuldade visual notória e por alterações frequentes da graduação em pouco espaço de tempo. Existem alterações específicas observáveis no exame microscópico da córnea, mas os casos mais subtis podem apenas ser diagnosticados pela análise morfológica e das aberrações óticas da córnea, efetuada de uma forma muito apurada e precisa com os modernos equipamentos de topografia/tomografia de córnea.
Tratamento do queratocone
Relativamente ao diagnóstico, nenhuma forma de reabilitação visual, adaptadas a cada fase de evolução e a cada caso concreto, trata a causa da ectasia ou impede a sua progressão.
Considerando ainda a complexidade, invasibilidade e possíveis complicações crescentes com o nível de gravidade, é de extrema importância impedir a progressão desta patologia numa fase tão precoce quanto possível, prevenindo a evolução da mesma para apresentações clínica mais avançadas e agravadas e a necessidade de tratamentos mais agressivos e limitativos da qualidade de vida dos doentes.
Assim, os principais tratamentos passam pela realização decross-linking do colagénio corneano. Trata-se de um procedimento que permite estabilizar ou atrasar a progressão do queratocone, proporcionando em muitos dos casos um grau de melhoria visual. Os estudos de follow-up e acompanhamento contínuo e mais duradouro do paciente sugerem que esta estabilização se sustenta no tempo, sem necessidade de re-tratamentos na grande maioria dos casos.

Figura 3 – Tratamento com laser.
E por hoje termina mais um post sobre saúde e doença… As doenças estão sempre na nossa iminência, por isso, não perca de vista a sua saúde!
Fontes: Dossier Especial Saúde – Queratocone, Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE Serviço de Oftalmologia – Queratocone, Oftamologia – Queratocone: Diagnóstico e Terapêutica, Trofa Saúde Hospital – QUERATOCONE, O QUE É?

