O Campeonato Mundial de Futebol 2018 (também conhecido por Copa do Mundo do outro lado do Atlântico) ainda agora começou. Muita bola terá de rolar, muitos minutos há ainda por jogar – horas para aqueles terão os seus olhos colados na televisão apoiando as suas selecções. Antecipam-se jogadas incríveis das quais resultaram golos memoráveis. Contudo há um golo que provavelmente não veremos neste mundial: golo directo de canto, também conhecido por golo olímpico.
Marcado pela primeira vez numa competição mundial no ano de 1962, pelo pé de Marcos Coll da Colômbia, jogo contra a antiga União Soviética que acabaria por terminar em empate 4-4. Foi até hoje o único golo olímpico marcado num mundial.
Mas o que torna este tipo de golos tão difíceis para que tenha sido o único em mais de 50 anos!?
Se alguma vez pisaste um campo de futebol, mais especificamente num dos cantos, e olhaste para a baliza há uma coisa que rapidamente te apercebes… Que não consegues ver a abertura da mesma! Como raio podes marcar golo se nem sequer vês para onde estás a apontar?
A única forma de o fazeres passa por dar efeito à bola de tal forma de modo a que esta curve no último momento em direcção à baliza. Com a experiência muitos jogadores são capazes de o fazer intuitivamente, mas qual a ciência por detrás disso?
Caso o vento esteja a teu favor, óptimo! Caso contrário só existe uma forma de o fazeres – acertares na bola de forma a que esta gire a uma velocidade considerável. A chave para o sucesso deste remate passa por teres precisão e acertares na bola com a força certa. Deves acertar com o primeiro metatarso (primeiro osso após o dedo grande do pé) na parte direita da bola mesmo abaixo do meio. Isso fará a bola girar contra os ponteiros do relógio, sobre o seu eixo vertical.
Durante o voo, o ar passa por ambos os lados da bola. Da parte superior o ar move-se a favor da rotação da bola, enquanto da parte inferior move-se contra. Isso cria uma força ascendente, fazendo com que a bola curve. A este fenómeno chama-se de Efeito de Magnus, em homenagem ao físico alemão Heinrich Gustav Magnus que descreveu este efeito em 1852.

Esquema representativo do efeito de Magnus. A bola desloca-se da direita para a esquerda, contrariamente ao fluxo de ar.
Contudo durante um jogo tudo se complica ainda mais. O vento, a temperatura, a humidade, tudo são factores que afectam este fenómeno. Outro factor a ter em conta é a forma da bola. Quanto mais regular for a sua superfície, mais imprevisível é o seu movimento no ar – tal aconteceu no Campeonato do Mundo de 2010 em que o design da bola Jabulani, criada pela Adidas, que consistia em apenas 8 painéis termicamente fundidos, fizesse com que esta curvasse de uma forma imprevisível, tendo sido motivo de crítica por parte de muitos jogadores.
Por fim mesmo que se reúnam todas as condições necessárias para o canto perfeito há um ultimo factor a ter em conta… Os restantes jogadores! Se sem mais ninguém em campo já é um feito notório, imaginem com os restantes jogadores na área em frente à baliza! Ao fim de contas talvez não seja assim tão estranho que quase não existam golos destes em competições mundiais.
Fontes:
Gonzalez, R. “The physics of the one goal you won’t see at the world cup”. Wired. https://www.wired.com/story/the-physics-of-the-one-goal-you-wont-see-at-the-world-cup/ (Acedido em 18 de Junho, 2018)
Mann, A. “What’s up with that: Why so many people lose it over the world cup balls’s design”. Wired. https://www.wired.com/2014/06/wuwt-world-cup-magnus-effect/ (Acedido em 18 de Junho, 2018)
“Adidas Jabulani”. Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Adidas_Jabulani (Acedido em 18 de Junho, 2018)
“Magnus effect”. Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Magnus_effect (Acedido em 18 de Junho, 2018)

